Tag Archives Violência

Na quarta-feira, após os tiros contra o deputado republicano Steve Scalise e quatro pessoas perto de Washington, Peter Beinart escreveu um texto na revista The Atlantic sobre o “clima” político e de virulência verbal nos EUA. Há um fogo cruzado (metafórico com raras exceções) entre liberais e conservadores (esquerda e direita no jargão brasileiro); entre democratas e republicanos. James Hodgkinson, o atirador morto devido aos ferimentos recebidos após ser alvejado pela polícia, era um simpatizante de Bernie Sanders, o radical de esquerda que perdeu para Hillary Clinton, nas primárias democratas.  Ele desprezava Hillary, mas seu ódio mais intenso alvejava republicanos e o presidente Trump. Isto está patente nos seus posts nas redes sociais, que devem ser acrescidos a seu prontuário […]

Na quinta-feira cedo, ao vivo na rádio Jovem Pan, com a minha cautela habitual, eu não quis precipitar conclusões sobre a chacina na histórica igreja metodista episcopal Emanuel em Charleston, na Carolina do Sul. Os sinais eram de motivação racista, mas nunca me esqueço de Oklahoma City, em 19 de abril de 1995, quando a primeira especulação era de um atentado do terror islâmico e se revelou que fora obra de Timothy McVeigh, um extremista de direita. O suspeito preso é o jovem Dylann Roof, de 21 anos, dado a exibir emblemas de supremacistas brancos. De um lado, acompanhei a história ao longo de quinta-feira com incredulidade. Qual é a desse garoto? Por que ele matou uma senhora de 87 anos […]

Chamei a atenção dos leitores com o título acima? Não é meu, mas da coluna de um dos meus gurus, Gideon Rachman, no Financial Times. Mudei de ideia sobre o copo meio vazio ou se esvaindo dos BRICS ou outros acrônimos popularizados por aqui, como TIBIA (Turquia, Índia, Brasil, Indonesia e África do Sul)? Não mudei, mas creio ser importante encher o espaço com o debate. Se o Instituto Blinder & Blainder presta contas aos leitores (veja coluna de quarta-feira), pode também questionar os seus gurus. Pelo argumento de Rachman, é possível estar certo na hora errada. Jim O’Neill, o banqueiro-marqueteiro do acrônimo BRICS voltou à carga com MINT (México, Indonesia, Nigéria e Turquia) justamente quando a economia de alguns […]

O megamega conglomerado de análises, previsões, sacações, pirações e contabilidade Blinder & Blainder é transparente, humilde e presta contas aos leitores. Na semana passada, num texto sobre os países emergentes em estado de fragilidade, o B & B apontou sinais de solidez na África do Sul, não na economia, mas na perspectiva de uma oposição mais vigorosa para enfrentar o governista Congresso Nacional Africano (CNA), valoroso resistente contra o apartheid e hoje desvalorizado no poder por sua corrupção, incompetência e arrogância. Em menos de uma semana, os sinais de solidez desapareceram. Ocorreu o colapso da fusão entre a Aliança Democrática e o Agang. A união era um símbolo de uma dinâmica política realmente pós-apartheid. A Aliança Democrática tem raízes na […]

Que mundo é este? A Itália da esbórnia política dá lições de sensatez aos EUA. Dá para acreditar? A Roma das palhaçadas é exemplo de seriedade em comparação ao circo de Washington, com o Tea Party no centro do picadeiro. Lá na Itália, os conservadores com a cabeça no lugar se rebelaram contra Silvio Berlusconi, que tentou puxar o tapete do primeiro-ministro esquerdista Enrico Letta, à frente de um governo de coalizão, o que provocaria mais uma crise na terceira economia da zona do euro, ameaçando a frágil recuperação da região. Deputados e senadores disseram basta a Il Cavalieri. Houve uma insurreição no partido Povo da Liberdade (PDL), inclusive com o envolvimento de lugares-tenentes do ex-primeiro-ministro. Berlusconi arriscou uma cartada e […]

Agora, todo mundo vai ao circo para analisar o que aconteceu e qual será o próximo malabarismo político na Itália com a esbórnia eleitoral. Tudo inconclusivo, ingovernável, uma insalata. Não será uma surpresa se em questão de meses novas eleições sejam convocadas. Por ora, serão semanas de conchavos para a formação de um governo. A coalizão de centro-esquerda de Pier Luigi Bersani tem mais cadeiras na Câmara e a de centro-direita do imortal (ou ressuscitado) Silvio Berlusconi no Senado. De todo coração, se eu votasse na Itália teria até flertado com a idéia de cravar o meu voto de protesto no Movimento Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, a estrela do momento, com sua campanha desembestada contra o status quo (austeridade, a corrupção, […]

Fácil se indignar com as palhaçadas dos políticos, do Potomac ao Chuí. Mas o circo máximo hoje está lá no Rio Tibre, com seus escândalos e palhaçadas caudalosas. Publico esta coluna na segunda-feira e ao final do dia saberemos o desfecho da pantomina eleitoral italiana. A questão é se o Partido Democrático, de centro-esquerda, chefiado por Pier Luigi Bersani, irá conseguir costurar uma coalizão de governo com a presença do tecnocrata Mario Monti, no sonho da cúpula europeia em Bruxelas e Berlim. Eu também espero que sim. Sem este cenário, a Itália que ameaçava ter um pouco de estabilidade política e e econômica irá mergulhar novamente no caos e na avacalhação. Falando nisso… E vou falar o que de Silvio […]

Para o espanto de muita gente, o ícone filipino do boxe Manny Pacquiao foi nocauteado no sexto round pelo mexicano Juan Manuel Márquez na luta de sábado à noite em Las Vegas. Para o espanto do meu sogro, em Manila, pugilista amador na juventude, e de Mitt Romney, perdedor profissional no pugilato eleitoral. Romney apareceu no vestiário antes da luta para desejar boa sorte a Pacquiao e disse: “Alô, Manny, eu concorri à presidência e perdi”. Pacquiao já é deputado nas Filipinas e quem saiba um dia dispute a presidência do seu país. Não precisa do endosso de pé-frio. Já aquele pugilista ágil que nocauteou Romney em novembro continua com bom desempenho. Barack Obama vai derrotando por pontos os republicanos, […]

Em rabiscos estratégicos na terça-feira passada, eu mencionei um ensaio do professor e blogueiro Walter Russell Mead, publicado no Wall Street Journal, descartando a narrativa, novamente em ascensão, de que os EUA estejam em declínio. No argumento de Mead, está ocorrendo um rearranjo na ordem mundial. O declínio, na verdade, é marca da Europa Ocidental e Japão, os aliados tradicionais dos americanos. Os EUA, ainda na liderança, assim ampliam o sistema trilateral, adicionando China, Índia, Brasil e Turquia. Boa polêmica e no site da revista The Economist, a tese de Mead é questionada com exclamação: Come on! O texto argumenta que Mead não menciona a estagnação americana como um fator que contribuiu para o fim do sistema trilateral e que, […]

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