Tag Archives Violência americana

Nem de longe ser blasé diante de mais um massacre com armas nos EUA e Las Vegas no domingo à noite foi o maior da história moderna do país. Mas, conhecemos o duelo político logo depois da “ocorrência”. Os republicanos que recebem contribuições do lobby das armas alertam não ser o momento para politizar a tragédia. O fundamental é oferecer reflexões banais e preces. No máximo, observando que foi coisa de algum lunático. Já os democratas são rápidos no gatilho (e desta vez estão ainda mais ágeis) para pedir controle de armas. O ciclo ficou mais acentuado desde o massacre de crianças em um escola do estado de Connecticut em dezembro de 2012. E a banda da esquerda tende a […]

Nicolás Maduro seguiu o roteiro. O presidente americano Barack Obama emitiu um decreto declarando a Venezuela uma “ameaça à segurança nacional”, impondo sanções contra sete altas autoridades do chavismo (pessoal do aparato de segurança e de repressão dos direitos humanos). Maduro anunciou que vai pedir poderes especiais à Assembleia Nacional para enfrentar a “agressão imperialista”. Ele acusa o golpismo ianque, recorrendo ao truque manjado (o velho golpe) de tentar desviar as atenções para o exterior. É ilustrativo como o New York Times não caiu no golpe. Na sua edição impressa desta terça-feira, o principal jornal do mundo destaca a Venezuela na primeira página. O tema, porém não é este agravamento das relações Washington/Caracas. O destaque é uma ampla reportagem do […]

Nicolás Maduro é o vexame chavista. A eleição que ele ganhou domingo por uma merreca de votos (em um resultado contestado pela oposição) confirmou sua incompetência em um jogo de cartas quase marcadas. A história dirá que este ex-motorista de ônibus não tem condições de conduzir o país em meio às suas turbulências politicas e econômicas. Ele talvez nem consiga chegar ao fim do mandato. Como Maduro é pequeno para fazer história, vamos a estorinhas do passado. Sei que a primeira é picuinha (mas esta coluna se dá este direito). Na Internet, circula um documento com uma suposta avaliação do seu desempenho profissional quando era motorista de ônibus nos anos 90. Maduro não era chegado no trabalho. Passava mais tempo […]

Que sufoco, Venezuela! Recontagem dos votos, como exigem a oposição e o bom senso. No domingo, de acordo com os números oficiais, o candidato Hugo Chávez venceu por uma merreca de votos, mas o país será governado por um tal de Nicolás Maduro. O caudilho morto no mês passado lubrificou o regime com o receitas de petróleo, gastos sociais, carisma, aparelhamento do estado e enferrujou e ferrou como pôde a oposição. Mas o chavismo está enferrujado. Maduro, carente do carisma de Chávez, excedeu-se no uso de sua imagem nesta curta campanha eleitoral. Ele foi salvo pelo gongo e sei lá por quais outros artefatos e artifícios. Mais uns dias de campanha, poderia ter sido Primavera de Caracas, com Henrique Capriles. A […]

Em editorial, o Wall Street Journal expressou a esperança de que com o cadáver de Hugo Chávez os venezuelanos enterrassem o chavismo. Mas a procissão tem fôlego para ir adiante por uns tempos com Nicolás Maduro, que sequer dispensa o uniforme  (blusão esportivo com as cores nacionais), os trejeitos e os slogans do morto embalsamado. Carece, é claro, da mesma vivacidade política. Maduro, que agora irá concorrer em eleições como o herdeiro do chavismo, tem, além de receitas petrolíferas, as menos lubrificadas engrenagens deste sistema híbrido inventado por Hugo Chávez. Ele era um caudilho sofisticado, embora por formação tivesse inspiração de militares autocratas, como o peruano Juan Velasco Alvarado e o panamenho Omar Torrijos e as leituras de um obscuro fascista argentino chamado […]

Na sua Crônica de uma Morte Anunciada, Gabriel Garcia Márquez realiza uma reconstrução jornalística do último dia de Santiago Nasar, assassinado pelos dois irmãos Vicario. No romance, quase todos os habitantes do lugarejo de Santiago ficam sabendo do homicídio horas antes, mas nada fazem para impedi-lo, nada fazem para proteger a vítima. Nesta outra crônica de uma morte anunciada, alguns habitantes de Caracas fizeram o possível para não anunciar, fizeram o possível para adiar a morte de Chávez e assim proteger o chavismo. Impedir ou esconder por muito tempo a morte física era impossível. Tais feitos exigiriam um milagre norte-coreano. A morte política pôde ser adiada para o regime unificar suas alas e tirar proveito de uma oposição meio perdida […]

Quando da morte do ditador líbio Muammar Khadafi em 2011, o historiador inglês Simon Sebag Montefiore escreveu que não existe maior proeza para um tirano, além da imortalidade, do que morrer na sua própria cama, controlando o tempo, o lugar e as consequências de sua morte. Trata-se de um cálculo politico, mas também do narcisismo do ditador. Hitler foi um mestre na metodologia da morte do tirano. As tropas russas já em Berlim e ele controlou o processo a ponto de executar seu testamento, casamento com Eva Braun e o suicídio. Como disse Montefiore, “a morte de um tirano é sempre um ato politico que reflete o caráter do seu poder”. Tiranos, quando não são mortos, por serem o que […]

Se eu fosse de Vênus (Europa), escreveria com facilidade o editorial do jornal Financial Times sobre a necessidade de acabar com a “cultura da violência das armas nos EUA”, mas sou de Marte (EUA) e sei que não adianta ser rápido no gatilho. Será um longo duelo contra o lobby das armas. O governo Obama trabalha com realismo para mudanças no front. O Financial Times, venusiano, acha que as propostas que Obama apresentou na quarta-feira, e as mais importantes precisam ser aprovadas no Congresso, “são razoáveis, porém, modestas”. Aqui em Marte, propostas como banir rifles semiautomáticos e exigir atestado de antecedentes criminais de todo comprador de armas são consideradas ambiciosas e dramáticas. E, de fato, são no contexto da cultura […]

Que foto velha, assim como algumas ditaduras. Um dos personagens desta foto é familiar dos leitores. Dispensa maiores apresentações. O outro é Hafez Assad, já morto, cujo herdeiro é o atual ditador da Síria, Bashar Assad. Fidel está vivo [sic], mas seu irmão Raúl herdou o patrimônio cubano. A foto é de fevereiro de 1979, quando papai Assad visitava Havana e em Teerã acontecia o triunfo da revolução islâmica do aiatolá Khomeini. O regime iraniano vive, mas trocou de aiatolá-chefe (agora é Khamenei). Todos estes regimes (castrista, assadista e aiatolista) são amigos. Aqui falta mencionar outro integrante desta confraria infame, o chavismo. O regime presidido [sic] por Hugo Chávez é o mascote da turma, mas, como sabemos, está vigoroso no […]

Hugo Chávez não planejou sua doença ou eventual morte. São coisas para mortais. Caudilhos e czares como Chávez e Vladimir Putin são para sempre.  Agora o roteiro boliviariano enfrenta o choque de realidade. Ao contrário do Partido Revolucionário Institucional, do México, o PRI, a autoridade na Venezuela parece coisa de fantasma depois da posse que não aconteceu de Chávez para um terceiro mandato na quinta-feira. Houve a farsa grotesca da posse simbólica. O presidente continua internado em Havana e ninguém sabe exatamente qual é o seu estado de saúde. O da Venezuela é sofrível. No sistema mexicano que vigorou por 71 anos ininterruptos, até 2000, o poder era transmitido metodicamente de um presidente para outro. Mandato único de seis anos. […]

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