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Em viagens a jato a São Paulo, eu tenho cometido adultério: traição da padaria Aracaju, em Higienópolis, indo para a cama, ou melhor dizendo, a mesa, do Bologna, na rua Augusta, o velho Bologna da minha infância (que realmente não é o mesmo). Do prédio na rua Visconde de Ouro Preto, eu tinha duas opções de banca de jornais na Marquês de Paranaguá. À esquerda, na esquina com a Consolação; à direita, na esquina com a Augusta. A banca da Consolação fechou há anos. Na da Augusta, hoje em dia, se chegar cedinho, ainda encontro um ou outro exemplar do Estadão ou da Folha. Na terça cedinho, ainda consegui um exemplar da Folha (lembrando o óbvio, são parcos jornais à […]

Em uma rápida viagem a São Paulo esta semana, havia um tema constante entre amigos, gente que me abordava e os inevitáveis uberistas: sim, o Brasil tem uma saída…pelo aeroporto. O desejo nacional é ir para Miami ou Lisboa (agora chamada de Lisótima). Caraca. Falando nisso, o meu tema mesmo aqui é a Venezuela. Ali, a saída é mais dramática, mas intensa, algo que lembra o que se passou em Cuba com a revolução castrista. Na capa da edição de quarta-feira, o Wall Street Journal estampa a reportagem sobre uma “geração dourada” que está se arrancando do país. O foco da reportagem é a escola Ceapucv, em Caracas, que era um endereço dos filhos da classe média e da elite […]

A assembleia geral das Nações Unidas em Nova York é uma maratona de discursos e oportunidades para encontros bilaterais e multilaterais de líderes de todas as partes do mundo. Nada contra o jantar informal agendado para esta noite de segunda-feira entre o homem da Trump Tower, o presidente Temer e outros líderes latino-americanos. O tema central é Venezuela. Trump, Temer e o resto do mundo não têm exatamente uma estratégia para resolver a crise. A urgência do desafio exige conversas e um fluxo de ideias para tentar alguma trilha que desvie a Venezuela do abismo, embora a sensação seja a de que o chavismo já tenho levado o país para lá. Trump é um presidente do improviso e dos impulsos. […]

A nossa torcida pela derrota do pior é um desafio para o nosso labor analítico. Alguns casos escancarados no meu trabalho jornalístico são Bashar Assad e Donald Trump. Ambos entortaram minhas ferramentas analíticas. O genocida sírio segue no poder e o grosseiro demagogo da Quinta Avenida é presidente americano. Meu novo desafio é a Venezuela, onde obviamente torço pelo fim de Nicolas Maduro e para breve. A realidade se mostra mais complexa, ilustrada por uma reportagem do Wall Street Journal com o título “A esperança se foi na Venezuela”. E o jornal trilha o caminho da desesperança com Wuilly Arteaga, o jovem violinista que se tornou o símbolo dos protestos contra o chavismo, tocando hinos patrióticos nas ruas diante da […]

Este domingo não será um dia ilumilnado, será um dia sombrio na Venezuela, data do empenho do incompetente caudilho Nicolás Maduro para consolidar sua ditadura com a eleição destinada a estabelecer uma assembleia constituinte. O papel deste simulacro é esmagar o que sobrou de poder independente na Venezuela, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição e já bastante atrofiada pelo regime chavista. O lance de Maduro de convocar esta eleição, boicotada pela oposição, foi um fator decisivo para justamente dar ainda mais vigor à mobilização da oposição. Seu exercício eleitoral duas semanas atrás, um referendo sobre esta pseudo constituinte, foi um sucesso acima das expectativas. O drama para a oposição é o que fazer agora. Os maciços e incessantes protestos, além […]

A expressão semana decisiva é uma muleta analítica das mais deficientes, mas em algumas ocasiões expressa o vigor do momento, como no aqui e agora na Venezuela. A partir desta quarta-feira é uma greve geral de 48 horas contra a ditadura de Nicolás Maduro convocada pelo oposição. Na sexta-feira, será uma manifestação nacional maciça contra a farsa eleitoral do final do mês para a implantação de uma assembleia constituinte. O vigor da oposição supera as expectativas. O protesto contínuo e sangrento nas ruas não levou à fadiga; as artimanhas de Maduro para ganhar tempo e dividir a ampla coalizão de oposição não surtem efeito e um chavismo dissidente se cristaliza. E eu destaco um quarto ponto: a oposição planta as […]

Como dar cabo de um regime infame e truculento como o chavismo quando os “métodos de luta” da resistência não incluem a luta armada e o golpe militar? Estes são os dilemas da oposição na Venezuela, aglutinada em uma frente ampla e geralmente difusa. Diante dos dilemas, o regime no abismo tem algumas opções limitadas, como ganhar tempo e recorrer a alguns truques como tentar dividir esta oposição, como na decisão de suavizar o status carcerário do líder de uma das alas antichavistas, Leopoldo López, agora em prisão domiciliar. Esta “concessão” contrasta com o ritmo mais intenso de detenções de  outros líderes oposicionistas. Já para a oposição, ficar nas ruas se manifestando é sempre um risco, riscos de mais sangue […]

Mesmo ditaduras truculentas, burras e que arrogam sua solidez recuam quando estão à beira do abismo. A Venezuela desgovernada por Nicolás Maduro fez um recuo até que inteligente ao transferir Leopoldo López para a prisão domiciliar, alegando razões de saúde e irregularidades no seu julgamento. Ele ficou no cárcere 3 anos e 5 meses. López, o mais importante e carismático preso político da Venezuela (sim, ele continua sendo preso político), foi condenado a 14 anos de prisão por instigar a violência, em uma farsa judicial. A última coisa que Maduro gostaria agora é que ele morresse na prisão e se transformasse em mártir. Aliás, a China, uma ditadura muito pior do que a venezuelana, na semana passada transferiu Liu Xiaobo […]

Não vou falar do Brasil, vou falar de coisa pior, aquele vizinho que começa com a letra V. Ao longo da semana passada, li muito sobre a Venezuela nos principais órgãos da imprensa americana. No breaking news. Mais um raio x de degradação, desolação e desesperança. Basta ver o título de uma reportagem-ensaio de duas páginas na edição de fim de semana do Wall Street Journal: “A virada sinistra da Venezuela”. O texto enfatiza que o país que já foi um dos mais ricos da América Latina hoje amarga o colapso das instituições democráticas, descambando para níveis de doença, fome e disfunção mais frequentemente vistos em países assolados por guerra civil. Não é à toa que em prognósticos mais alarmistas, […]

Contra os detritos, os detritos. São os coquetéis “pupotov”, as bombas de excremento jogadas por manifestantes contra as forças de segurança chavistas na Venezuela. Fruto podre do desespero e da literal falta de recursos em um país no qual a população carece de comida, medicamentos e, como sabemos, de papel higiênico. Eu vacilei para escrever sobre esta nova arma da oposição, pois dá uma dimensão meramente escabrosa ou folclórica sobre o que se passa no país. Os coquetéis “pupotov” são assunto cada vez mais popular nas redes sociais, transformando-se em lenda urbana. Existem trocas de fórmulas sobre o preparo da bomba, basicamente uma mistura de água e de fezes, engarrafada em frascos de vidro. Há mensagens com detalhes escatológicos sobre […]

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