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A coluna de terça-feira foi muito cautelosa sobre os caminhos turcos a partir dos freios colocados nas eleições parlamentares de domingo no projeto autocrático do presidente Recep Erdogan. Sendo otimista, talvez seja a semente de uma Primavera Turca (aliás, literalmente, pois ela está para acabar no hemisfério norte). Sobre a Primavera Árabe, obviamente, só pessimismo. Nem vou falar do Siraque, Iêmen ou Líbia. A reflexão é sobre o Egito. A trajetória tumultuada e negativa dos últimos anos demonstra os descaminhos da Primavera Árabe, onde as expectativas eram tão altas com a queda do ditador Hosni Mubarak. O país já passou pela amargura do governo Mursi (Irmandade Muçulmana) e agora é o regime de Abdel Fattah al-Sisi, finalmente absorvido pelo Ocidente. […]

Eu fui checar os arquivos do Instituto Blinder & Blainder e shame: nunca apelei para o bordão de solidariedade do título acima para a única história de sucesso da Primavera Árabe. E a Tunísia merece, ela precisa. O terror islâmico está convicto da necessidade de matar este exemplo. O alvo do ataque de quarta-feira foi o Museu Nacional do Bardo,  um dos mais populares locais turísticos da Tunísia, cheio de estrangeiros (20 dos 23 mortos eram turistas estrangeiros). Cerca de 12% do PIB tunisiano dependem de turismo, que teve uma queda dramática desde a revolução de 2011, mas tem se recuperado, apesar da economia europeia estar capenga. Isto é terror islâmico. Vai à carga contra pilares físicos da civilização e […]

Onde está a Geração Facebook da Primavera Árabe? Onde está o ativista egípcio pró-democracia Wael Ghonim? Esta geração está sendo amordaçada e esmagada em termos literais e digitais pelos dois lados: pela restauração de velhos regimes (como o do marechal Sisi no Egito) e pelo jihadismo. Basta ver o que aconteceu na paisagem das redes sociais que por um tempo foi dominada pelos ativistas liberais e seculares. Agora, é um deserto controlado por clérigos conservadores e jihadistas simplesmente ensandecidos, que recrutam jovens nos países ocidentais. A conta no Twitter de Wael Ghonin, com 1.4 milhão de seguidores, está silenciosa. Outros influentes ativistas liberais e esquerdistas da Primavera Árabe egípcia em 2011 calaram a boca ou estão na prisão. Está semana, […]

Na Terça-Feira Gorda, eu vou preguiçoso na marcha geopolítica, pegando carona no bloco de Roger Cohen, o colunista do New York Times, um dos meu favoritos. Cohen traça um amplo arco para falar do horror do terror islâmico, das desventuras da Primavera Árabe e da nossa postura, no Ocidente. Pego carona, mas taco os meus pitacos na pensata. Cohen começa dando uns cascudos na retórica anódina da liderança ocidental. Depois dos atentados em Copenhague, a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thornig-Schmidt, repetiu no domingo que não se tratava de uma “batalha entre islamismo e o Ocidente”. Foi um eco das vagas referências de Barack Obama aos “extremistas violentos”, na expressão desvinculada de fundamentalismo islâmico. Nomes precisam ser dados aos bois, aos animais. […]

Primavera Árabe e as outras estações políticas na região são assuntos obrigatórios na coluna. Portanto, com dias de atraso, vamos para o Egito. No sábado, um tribunal absolveu o ex-ditador Hosni Mubarak, 86 anos, de todas as restantes acusações criminais, a destacar a responsabilidade na morte de centenas de manifestantes na rebelião de 2011 (ele ainda cumpre pena de três anos, condenado por corrupção). Na expressão do New York Times,  a decisão judicial é um “repúdio categórico da Primavera Árabe que removeu Mubarak do poder”. Oficialmente, a absolvição decorreu de uma tecnicalidade. O juiz, como acontece nestas horas, insistiu que a decisão “não tem nada a ver com política”.  Tem tudo a ver. Afinal, as acusações contra Mubarak eram políticas, […]

Nenhuma surpresa na atitude ucraniana da presidente Dilma Rousseff. A agressão russa no país vizinho é um escândalo geopolítico. No entanto, a presidente do Brasil lava as mãos. Ela considera prioridade denunciar bombardeios americanos contra os terroristas do Estado Islâmico (precisamos de diálogo, minha gente, vamos colocar a cabeça no lugar). Já na reunião do G-20, na Austrália, onde Vladimir Putin foi alvo de merecida hostilidade ocidental, Dilma foi pacata, foi anódina, foi omissa, foi uma anestesia quando deveria tocar na ferida. Como assim, presidente? A senhora não tem posição sobre uma crise crucial no mundo atual? Em entrevista, Dilma afirmou: “O Brasil, no caso da Ucrânia, não tem e nunca definiu uma posição. Nunca nos manifestamos e evitamos sistematicamente […]

Conversa sobre Primavera Árabe? Será que a divisão sonhática do Instituto Blinder & Blainder está impondo a pauta da coluna? Como falar em Primavera Árabe após tantos pesadelos? Sem dúvida, a Síria é hors concours, além de qualquer pesadelo, além da imaginação. No entanto, a Primavera Árabe é um processo, um rebento. É um broto que nem completou quatro anos. Já falei aqui das boas notícias da Tunísia, berço da Primavera Árabe, onde no domingo o partido islâmico Ennahda (o melhorzinho das irmandades muçulmanas) foi derrotado pela partido secular Nidaa Tounes nas eleições parlamentares. E é justamente ali na África do Norte que podemos ver o melhor e o pior produzido até agora pela Primavera Árabe (de novo, Síria é […]

O presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, 77 anos, é um daqueles gerontrocratas árabes dispostos a ficar no poder  até a morte, embalsamado ou não. Bouteflika realiza periódicas eleições fajutas para formalizar a permanência no poder. Na semana passada, ele conseguiu 80% dos votos, após uma campanha da qual nem participou (em 2013, Boutefllika passou três meses em um hospital de Paris, recuperando-se de um enfarte). Com o pesadelo sírio, a tragédia egípcia e outras descaminhos da Primavera Árabe, muita gente acha melhor o esquema Bouteflika, condenando o mundo árabe à servidão política, como se fosse o menor dos males. Dos 22 países que integram a Liga Árabe, a Tunísia, que se livrou do seu ditador gerontocrata nos primórdios da Primavera Árabe, […]

Três anos de Primavera Árabe. Semana passada, eu bati na tecla do samba do Oriente Médio doido. Como estamos a semanas do Carnaval (neste longo ano de folguedos brasileiros), vamos voltar à avenida ao ritmo dos blocos da esperança e da miragem. O tema rendeu colunas em 2013 (leia a primeira, a segunda ou, melhor ainda, ambas), apresentando textos de dois especialistas. Desta vez, basta um texto: uma reportagem do New York Times reunindo  os blocos da esperança e da miragem. No segundo caso, o Egito, já está mais para o samba da desilusão. A Tunísia, berço da Primavera Árabe, ainda é o chamado farol da esperança.  Como diz a revista Economist, ainda dá a sensação de primavera. Já o New […]

Na quarta-feira, a coluna destacou a carona do comediante saudita Hisham Fageeh no protesto das mulheres que querem levar um país retrógado para outra direção. Hoje é dia de abrir passasgem para Bassem Youssef, o satirista egípcio, velho conhecido desta coluna. Youssef, também conhecido como o Jon Stewart do Egito (espero que todos conheçam o satirista americano do Comedy Central) voltou com seu programa semanal na televisão depois de um hiato de quatro meses. Algumas coisinhas aconteceram durante este hiato, como um golpe militar que derrubou o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana. Youssef nunca foi fraternal com Mursi e os “brothers”. Ele ridicularizava o poder anterior e no seu programa de volta na emissora privada CBC disparou contra o poder vigente. Youssef […]

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