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Na quarta-feira, a coluna destacou a carona do comediante saudita Hisham Fageeh no protesto das mulheres que querem levar um país retrógado para outra direção. Hoje é dia de abrir passasgem para Bassem Youssef, o satirista egípcio, velho conhecido desta coluna. Youssef, também conhecido como o Jon Stewart do Egito (espero que todos conheçam o satirista americano do Comedy Central) voltou com seu programa semanal na televisão depois de um hiato de quatro meses. Algumas coisinhas aconteceram durante este hiato, como um golpe militar que derrubou o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana. Youssef nunca foi fraternal com Mursi e os “brothers”. Ele ridicularizava o poder anterior e no seu programa de volta na emissora privada CBC disparou contra o poder vigente. Youssef […]

Com este jeitão na foto que mete medo, Yuval Diskin é um dos mais ativos e desbocados integrantes do esquadrão de ex-chefes de inteligência e segurança de Israel que são céticos sobre um ataque contra as instalações nucleares iranianas (dúvidas sobre a efetividade e ganhos a longo prazo) e que expressam alarme com a miopia estratégica israelense na questão palestina. Ex-chefe do Shin Bet (a segurança interna), Diskin acaba de alertar sobre a possibilidade de uma Primavera Árabe no território palestino da Cisjordânia. Em uma conferência patrocinada pelo próprio governo, Diskin disse que “existem todas as condições para uma insurreição das massas palestinas, pois na Cisjordânia há intensa tensão e frustração entres os palestinos. Eles sentem que sua terra está sendo roubada, o estado […]

Uma das mais importantes sequelas da Primavera Árabe é o estremecimento das relações entre os EUA e a Arábia Saudita. A sólida aliança movida por petróleo e interesses estratégicos remonta ao governo de Franklin Roosevelt na Segunda Guerra Mundial. Mas, agora há uma desafinação estratégica e uma decrescente dependência energética americana do Oriente Médio. A recente decisão saudita de esnobar um assento não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, pela qual o governo de Riad batalhava desde 1998, foi muito mais esnobada nos EUA. A Arábia Saudita está muito irritada e meios diplomáticos descrevem o octogenário rei Abdullah (já com 89 anos) como “furioso” com o presidente Barack Obama. Na lista da zanga saudita se destacam: 1) As jogadas […]

Está duro por estes dias saber onde está o lado bom da vida (o título em português do filme Silver Linings Playbook) na Primavera Árabe. Não é consolo, mas sabemos onde está o lado muito ruim. A Síria é pior do que o Egito. Os militares egípcios atiram sem piedade em militantes da Irmandade Muçulmana. Os militares sírio atiram. Eles agem simplesmente sem pudor, inclusive alvejando crianças. Temos agora novos relatos do uso de armas químicas em larga escala pela milícia de Bashar Assad (uma das várias no país) nos subúrbios de Damasco. O regime é o suspeito óbvio, mas uma ação tão escancarada soa incongruente. É possível seu uso pelos rebeldes jihadistas caso tenham acesso a material químico. Mas, por […]

Da turma do bem-que-eu-avisei, o conselho é escutar os avisos daqueles que realmente entendem de um recado. Se o assunto é Irmandade Muçulmana, meu hábito é seguir Eric Trager, um acadêmico americano que conhece o DNA do movimento islâmico e raramento perdeu o rumo para alertar sobre está flor que não se cheira na Primavera Árabe. E qual é o palpite de Trager agora? Para Trager, o comando militar que depôs a Irmandade Muçulmana em julho e realmente botou para quebrar desde a quarta-feira passada está determinado a fixar a agenda politica no Egito. E para o acadêmico americano, com as prisões dos dirigentes da Irmandade Muçulmana e o banho de sangue dos “brothers”, a organização esta desmoralizada e sendo […]

Há momento para tudo, até para concordar com declaração protocolar de diplomata. O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse para a BBC que o jogo da Primavera Árabe é longo, vai levar “anos, talvez décadas” para desfechos mais conclusivos. Hague reconheceu o óbvio: a situação no Egito é “sombria”, especialmente com o confronto direto militares versus Irmandade Muçulmana, sem espaço para outros atores. Hague está no seu papel ao pontificar que é preciso “manter a calma, apoiando democracia, instituiçoes democráticas e promovendo diálogo”. No entanto, ninguém no Cairo está disposto neste momento a dialogar e o desafio é enquadrar a Irmandade Muçulmana, sem embarcar na fantasia de que seja possível “erradicar” o islamismo político. Eu coloquei o verbo entre […]

Com a névoa informativa, o fogo e o sangue nas ruas do Cairo e de outras cidades, é difícil ver com clareza para onde vai o Egito assolado por sucessivos golpes, uma aloprada dinâmica de alianças políticas (especialmente entre militares e grupos mais liberais que apoiaram a deposição de Mohamed Mursi no mês passado, furiosos com a perspectiva de um estado islamizado e também inoperante) e as incertezas de um processo revolucionário. Árbitros e feitores do poder desde os anos 50, os militares ocupam agora mais espaço à bala. A Primavera Árabe é uma meleca (o termo mais elegante é que não se faz omelete sem quebrar os ovos). Claro que teria sido ideal uma ordeira transição em que a Irmandade Muçulmana sofresse tanto desgaste no poder […]

Um pouquinho de lição de casa para os leitores neste final (para alguns) das férias de julho. Em fevereiro, eu apresentei os enfoques de dois professores americanos sobre os rumos da Primavera Árabe, publicados na revista Foreign Affairs, um sobre sua promessa e o outro sobre sua miragem. Época de carnaval. Portanto, os dois acadêmicos eram porta-estandartes de dois blocos distintos. Com mais este importante passo na avenida que foi o golpe militar no Egito, ambos estão de volta, atualizando seus argumentos: mais otimista (a promessa) é a professora da Columbia University, Sheri Berman, mais pessimista (a miragem) é Seth G. Jones, professor da Johns Hopkins University e diretor-associado da Rand Corporation. Desta vez vamos inverter e começar com a miragem. […]

Barack Obama fez média até onde deu com o ditador egípcio Hosni Mubarak. A mesma coisa com Mohamed Mursi, o homem da autocrática Irmandade Muçulmana eleito democraticamente em junho de 2012 e deposto no golpe militar da semana passada. Obama faz tanta média que está abaixo da média na encrenca egípcia. Eu, com minha fama de obamista, quero direitos autorais por apregoar a doutrina da barata tonta. O presidente americano está perdidão numa crise que por si já é enrolada. Tudo é enrolado no Egito, mas a Casa Branca faz a sua parte, com seus atrasos e inépcia para atuar em um panorama volátil. Um caso já clássico de Obama foi sua lerdeza para abraçar os manifestantes que eram esmagados […]

Nos zigue-zagues da Primavera Árabe, existe uma constante na politica israelense. Nas encrencas, é fundamental manter um papel discreto, praticamente de silêncio oficial. Nada de parecer que Israel toma partido de algum ator em tramas tão voláteis. Existem algumas intervenções pontuais, como os bombardeios na guerra civil síria, alvejando suprimentos militares para a milícia xiita libanesa Hezbollah, em uma mensagem direcionada ao regime iraniano, o arquiinimigo de Israel. Há também as advertências de que haverá intervenção na Siria caso armas químicas caiam nas mãos do Hezbollah ou de grupos jihadistas. Israel também reforçou suas tropas nas colinas de Golã, de olho em provocações do Hezbollah, que despachou milhares de soldados para combater ao lado das tropas de Bashar Assad. No […]

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