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Muitas tempestades no deserto e uma confusão das Arábias em Riad no fim de semana, com o expurgo empreendido pelo príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, 32 anos, para consolidar o seu poder e provavelmente acelerar sua ascensão ao trono, no lugar do pai Salman, de 81. Mohammaed se composta ao estilo do déspota esclarecido e modernizador. Foram presos pelo menos 11 príncipes, dezenas de altos funcionários do governo e magnatas, entre eles um dos homens mais ricos do mundo, Allwaleed bin Talal, investidor no Twitter, Citigroup e outras grandes companhias globais. O magnata também é inimigo de Donald Trump, amigão do peito do príncipe herdeiro, assim como o genro Jared Kushner. Tudo isso em nome de uma guerra santa contra […]

Esta semana, Donald Trump caiu no Oriente Médio. Tivemos o terror islâmico em Manchester, mas o presidente americano descobriu na sua viagem que “mais de 95% das vítimas do terrorismo são muçulmanos”. Ele, portanto, descobriu algumas complexidades dos problemas. No entanto, reagiu com a habitual simplificação, tomando partido acintoso dos sunitas contra os xiitas. Nenhuma surpresa que haja euforia no bloco sunita, arregimentado contra o Irã com seu aliado de ocasião, Israel. Mas, há inquietação, além de fúria, mesmo em alguns países supostamente aliados dos EUA, como o Iraque (de maioria xiita) e o Líbano, com seu perpétuo frágil equilíbrio entre cristãos, xiitas e sunitas. Ali, no Líbano, o movimento Hezbollah é peça essencial no jogo de poder, assim como […]

Como Barack Obama no seu primeiro discurso presidencial em terras islâmicas, no Cairo, em 2009, Donald Trump, em Riad, Arábia Saudita, no domingo, prometeu um novo começo no relacionamento dos Estados Unidos com o mundo islâmico. Como se esperava de Trump, ele foi mais incisivo do que Obama para exortar o mundo islâmico a combater o extremismo e o terror. No entanto, ele foi bem menos incendiário do que na sua campanha eleitoral, quando manchava a linha entre terror e a religião islâmica e despejava uma retórica islamafóbica. Então, qual é o valor de face da mensagem com este mensageiro? No discurso, estiveram ausentes expressões como terrorismo islâmico radical. Ao contrário de Obama, que falou para uma audiência cívica na […]

  Passado o choque eleitoral americano, pelo menos para mim, várias coisas se revelam pouco chocantes, especialmente no Oriente Médio. Natural, por exemplo, o genocida Bashar Assad considerar Donald Trump um “aliado natural”. Afinal, o presidente eleito dos EUA acredita que o ditador sírio com a mão forte e os aviões de Vladimir Putin possa pacificar um país dilacerado. Sabemos que Bashar Assad é adepto da paz dos cemitérios, mas as sutilezas semânticas e as demais não são o território de Donald Trump. Trump chega após 16 anos de americanices atrozes no Oriente Médio, com os governos Bush e Obama. O primeiro com a intervenção atabalhoada e o segundo com o desengajamento desastroso. O ignorante Bush achou que iria salvar […]

Na doideira do Oriente Médio, o governo Obama comete a proeza de desagradar a gregos, troianos, tradicionais aliados árabes e Israel, enquanto realiza um arriscado jogo de sedução com os iranianos na diplomacia nuclear. As guerras americanas (Afeganistão e Iraque) e os abalos da ordem autocrática no Oriente Médio com a Primavera Árabe claro que testariam as relações de Washington com seus aliados tradicionais, a destacar a Arábia Saudita. Na agenda saudita, é crucial impedir que a revolta popular chegue em casa, ao mesmo tempo em que a convulsão regional é uma oportunidade para tentar se livrar de desafetos como o sírio Bashar Assad. É uma agenda que colide com os interesses americanos, ou melhor dizendo, com os confusos interesses americanos. Isto […]

Na coluna de segunda-feira, eu dei espaço para meu guru Jeffrey Goldberg falar de maconha, aqui ele volta à sua droga familiar: Oriente Médio. De novo, precisamos lembrar que Goldberg, um influente colunista nestas questões de Oriente Médio, é simpático ao governo Obama. Ele pergunta: até que ponto Obama deve ser responsabilizado pela crise no arco Beirute-Bagdá, ou seja, a disseminada guerra civil entre radicais sunitas e radicais xiitas (al-Qaeda x Hezbollah)? Goldberg se diz inclinado ao intervencionismo (e lamenta a ausência de ação americana no estágio inicial da guerra civil síria), mas ele não vê com otimismo a idéia de engajamento de Washington no vespeiro sectário. Goldberg cita críticos da politica externa dos EUA reconhecendo que: 1) Obama não […]

Estamos em um mundo de criativa destruição geopolítica, sem liderança global. Esta é a expressão lapidar (e criativa) do guru Ian Bremmer (da empresa de consultoria Eurasia). Já o editorial do Wall Street Journal não perdoa e constata o recuo americano como causa desta criativa destruição geopolítica. A destruição está bem patente no Oriente Médio (que mesmo nos melhores dias carece de sanidade). É a doideira que justifica o título da coluneta. Mas, é justo indagar sobre o custo do processo intervencionista anterior ao desengajamento americano. A guerra civil síria se esparrama pelos vizinhos Iraque e Líbano e temos o ressurgimento da franchise al-Qaeda. Barack Obama faz o que pode para esquecer estes buracos quentes, mas eles decepcionam e não querem ser esquecidos. […]

Eu também tenho culpa no cartório. Personalizo demais o jogo da política externa. Isto simplifica as explicações sobre jogadas estratégicas mais complexas, sobre mudanças históricas ou sobre o processo decisório. Claro que estamos falando dele, nem preciso dar o nome, triplicado no título da coluna. Ele andando sobre a água, debaixo dela, boiando. Aqui na coluna, nos comentários dos leitores, temos de tudo, embora menos do que em tempos atrás daquelas caricaturas de chamá-lo de Hussein, de terrorista islâmico, de queniano, de antiamericano ou de emissário sinistro de uma nova ordem mundial. Entre o pessoal mais crítico (sim, existem muitos a favor dele e de sua guinada estratégica) há um esforço mais maduro (opa, nenhum dirigente sério quer este tipo […]

Escrevo esta coluna de quinta-feira na quarta-feira no Leblon chuvoso e melancólico depois do debate de terça-feira no Rio sobre crise e esperança no Oriente Médio. Clima no debate foi bom, muitas sacadas e a conclusão de que precisaremos voltar anos a fio ao teatro Oi Casa Grande para resolver os intrincados problemas do Oriente Médio. Minhas sacadas teriam sido melhores no debate se eu tivesse batido os olhos antes na sacada de Gideon Rachman, no Financial Times (aquele jornal que a direita raivosa teapartista rotula de socialista), brincando de desenhar cenários. A amarga experiência no Oriente Médio recomenda apostar no pessimismo. Com concisão jornalistica, Rachman traça qual seria um cenário bem mais melancólico do que o Leblon chuvoso. Vamos lá: […]

E lá vou eu falar da mesma coisa: crise e esperança no Oriente Médio. Mas, desta vez, não estarei sozinho. Mr. Blinder será parte de um dream team (nada como autoelogio “coletivo”), listado no cartaz acima. O dream team vai lotar o teatro Oi Casa Grande, no Rio, nesta terça-feira à noite. O dream team, ainda bem, não é completamente coordenado nas sacadas sobre a crise e esperança no Oriente Médio. Seria um pesadelo. Há divergências sobre os caminhos da região. Mas, estaremos ferrenhamente unidos na retranca e no ataque para denunciar a chaga do antissemitismo. E o que eu vou dizer? Dá para antecipar meus apontamentos, que não são novidade para os leitores contumazes da coluna. * Oriente Médio […]

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