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Em texto no Wall Street Journal, o antenado repórter Yaroslav Trofimov nos alerta contra o dogma de ver o conflito entre sunitas e xiitas como meramente um cisma teológico e não também como um reflexo de uma luta moderna pelo poder. Claro que existem as raízes do conflito em torno da sucessão do profeta Maomé, mas por muitos séculos o racha não foi tão sangrento como nas últimas décadas e se tornou especialmente explosivo quando a religião se misturou com a política. Xiitas acreditam que o poder deveria ter ido para Ali, o genro de Maomé, e para o neto Hussain; para os sunitas, não deveria ser hereditário. Nada como trazer afiadas armas sectárias para agravar um conflito no Oriente Médio […]

No ritual sabático do Instituto Blinder & Blainder, mais um texto em português do jornal espanhol El País. Passei a semana obcecado com a Ucrânia (e um pouco de 50 Tons de Cinza). É saudável, portanto, um desvio de curso. Curiosamente, em suas pinceladas, o veterano diplomata brasileiro Luis Felipe de Seixas Corrêa simplesmente ignora Europa, Ucrânia e o nosso homem em Moscou. Desvio exagerado, mas instiga o debate. Será que eu maximizo o desafio russo ou será que Seixas Corrêa o minimiza? Ele também minimiza o desafio chinês ao Ocidente. Seu foco é o extremismo islâmico e concordo plenamente com suas observações finais. Boa leitura. Boa reflexão. Bom debate. PS- O corpo de funcionários do Instituto Blinder & Blainder […]

A coluna de segunda-feira questionou se a barbárie do Estado Islâmico está para brincadeiras ou não. Hoje, vamos dar a palavra para Jeffrey Goldberg, referência na coluna e que tem reflexões seríssimas sobre o tema. Antes, um pouco de contexto. Dos cinco reféns ocidentais executados pelo grupo Estado Islâmico, dois eram jornalistas americanos. E poucos jornalistas americanos sabem tanto dos perigos de andanças no terroristão como Goldberg, que, além de tudo, é judeu. Podemos, portanto, chamá-lo de judeu errante. A pensata de Goldberg é sobre os tempos em que os extremistas islâmicos tentavam persuadir repórteres e não executá-los. Velho de guerra, Goldberg conta que ele viveu um mês no ano 2000 em uma madrassa (seminário religioso) do Taliban no Paquistão. Dizia-se que […]

Barack Obama, como já foi dito tantas vezes, veio aí para acabar com as guerras. Agora, ele é o presidente que precisa liderar uma efetivamente, tanto em combate, como na diplomacia. No seu discurso na assembleia geral das Nações Unidas na quarta-feira, Obama se empenhou para arregimentar o mundo, em particular o mundo muçulmano, para a nova luta contra o extremismo islâmico, tentando reassegurar que não irá repetir os erros da era Bush na guerra contra o terror. No entanto, ele resgata a linguagem moralista de luta contra o terror do antecessor. Existe uma desconfiança dos EUA e, ao mesmo tempo, um clamor por sua liderança (exceto, é claro, no último caso, entre inimigos viscerais). A mensagem de Obama e […]

Uma coluna supostamente séria, apesar do compromisso solene com picuinhas, que começa falando de Justin Bieber, não cheira a coisa boa. Pode ser sacada sociológica ou baixada de espírito de blogueiro (quem sabe de participante do Manhattan Connection?), metido a falar de qualquer coisa. No entanto, a coluna vai adquirir compostura ao longo dos parágrafos. Leiam até o final para relaxarem ou ficarem decepcionados. Sobre as travessuras de Justin, na verdade, não aguento mais as sacadas da indústria de espertos (os tais experts, em inglês), pontificando sobre a doutrina Lindsay Lohan: ele-é-vítima-da-síndrome-da-celebridade-precoce-que-se-vergou-ao-peso-da-fama. Sou a favor de sua extradição para a Terra do Nunca ou para a Disneyworld, onde poderia ser construída uma unidade temática inspirada nele e em Miley Cyrus. Sobre […]

Vamos apelar novamente para a série Poderia Ser Pior, Presidente Dilma Rousseff. Imagine a sua popularidade despencar de 80% para 30% em 9 meses (isto já dá para imaginar no caso brasileiro) ou uma petição arrasar e conseguir em dois meses 15 milhões de assinaturas pedindo a sua renúncia, num país amargando problemas de carência de gêneros básicos, desabastecimento de gasolina e apagões. Ainda por cima, com um crescente cerco às liberdades politicas básicas. Um cenário de caos político e econômico. Este é o Egito do presidente Mohammed Morsi. O funcionário da Irmandade Muçulmana completará um ano de poder no domingo, com a previsão de protestos em massa e o potencial de dramáticas ramificações. Morsi tem sua base, também mobilizada em manifestações. A oposição […]

Edward Luttwak é sempre um estrategista militar interessante para ser lido: original, polêmico, taxativo e sem papas na língua. Ele acaba de publicar uma pensata no site da publicação Foreign Policy, concluindo que o presidente Barack Obama deve ser elogiado e não condenado pela relutância para enfiar a colher e os aviões na guerra civil da Síria. Para Luttwak, a prioridade estratégica dos EUA deve ser responder de forma efetiva à China emergente, ao invés de se engajar “na busca fútil de estabilidade na África do Norte, Oriente Médio e Afeganistão”.  Ele faz uma rápida viagem pelo “arco islâmico”‘ para observar “variedades de anarquismo”. Mas, atenção, Luttwak não culpa o papel político do islamismo por si pelas mazelas. Ele tampouco elabora se o custo da inação […]

Primeiro o livro do paquistanês Mohsin Hamid (2007) e agora o filme da indiana Mira Nair que acaba de entrar em circuito comercial nos EUA (veja aqui o trailer). Em ambos os casos, O Fundamentalista Relutante não serve para maniqueístas, sem relutância para dar respostas fáceis. Como o livro lançado seis anos depois dos atentados do 11 setembro e dois depois dos praticados em Londres por jovens cidadãos britânicos e muçulmanos de origem paquistanesa, há um timing inquietante no filme. Afinal, há pouco mais de duas semanas, ocorreram as explosões na maratona de Boston, realizadas por dois irmãos chechenos e muçulmanos radicados nos EUA. No texto e na tela, estamos diante de uma provocação esperta e intrigante, embora algumas equivalências […]

A segunda-feira foi devotada a colunas sobre a vida de Bassem Youssef, o humorista que se tornou um herói da resistência no Egito da Irmandade Muçulmana, e a morte de uma mulher indômita, Margaret Thatcher. Nada mais pertinente do que dedicar esta coluna de terça-feira a mulheres indômitas no mundo islâmico. Do Paquistão, temos a notícia da candidatura de Badam Zari ao Parlamento, nas eleições de 11 de maio. Dona-de-casa, mulher de diretor de escola, ela é a primeira mulher a fazer isto na ultraconservadora região tribal na fronteira com o Afeganistão, área de atuação do Talibã. Como ela diz, Badam Zari quer dar voz às mulheres sem vozes, que correm risco de vida quando decidem estudar. Lembram-se da história […]

Continuando a frase do título desta coluna, eu tiro o chapéu para o primeiro-ministro turco. São impressionantes as conquistas nos últimos dias de Recep Tayyip Erdogan para se tornar o maior líder do seu país desde Kemal Ataturk, o pai da Turquia moderna, que surgiu das cinzas do Império Otomano, e também para consolidar sua liderança regional. Erdogan inclusive tem apelado ao chapéu de estilo cossaco que era usado por Ataturk. Foram dois lances: um deles pegou o mundo de surpresa e eu explico mais para a frente. O mais coreografado foi a trégua com os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, uma organização definida como terrorista na Turquia, Europa e EUA. Seu líder Abdullah Ocalan, que está em confinamento solitário há […]

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