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Na guerra de milícias teocráticas do Oriente Médio, não existem sinais de pacificação. Pelo contrário. O tiroteio ameaça se intensificar. Uma das grande milícias fica no Complexo dos Aiatolás. Lá existe um paradoxo: o chefe supremo é realmente maligno, empenhado em exportar terrorismo, sonha em ter umas bazucas nucleares e dá uma força para bandidos psicopatas como o sírio Bashar Assad. Mas, a sociedade é vibrante, com amplos setores querendo se livrar do sufoco religioso, escapar do isolamento e curtir a vida. A prova está na reeleição do presidente Hassan Rouhani. Ele é filhote do chefão da milícia, o aiatolá Khamenei, mas tem uma visão mais pragmática das coisas. Porém, sua margem de manobra é limitada num sistema híbrido que combina […]

É demais pedir cristalina coerência estratégica de qualquer líder do chamado mundo livre, ainda por cima de um noviço como Donald Trump. As pinceladas, porém, estão aí sobre o que devemos esperar da política externa do presidente eleito dos EUA: indiferença a valores como direitos humanos e democracia; melhores relações com a Rússia do igualmente indiferente Vladimir Putin nestas questões de valores, mais foco no combate ao terror islâmico e ceticismo sobre melhores relações com o Irã. No departamento de busca de alguma coerência, vamos tentar encontrar a conciliação entre os dois últimos tópicos: combate ao terror islâmico e mais hostilidade contra o Irã. No núcleo do combate ao terror, está o Estado Islâmico, sunita, que também é inimigo de […]

Vamos ser sinceros: uma longa agonia, mas Mandela foi a crônica da morte anunciada. Na mecânica habitual do jornalismo, o obituário estava pronto, sendo atualizado. Claro que meu obituário de Fidel Castro está mofando na gaveta digital. Aliás, poucas notícias no espetáculo midiático do memorial Mandela na terça-feira, no estádio de Soweto. O presidente sul-africano Jacob Zuma foi vaiado. E como estavam lindas a Charlize Teron e a primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt, a das fotos estilo selfie com o presidente Barack Obama. Claro, antes que eu me esqueça, há também a imagem do aperto de mão entre Obama e o ditador Raúl Castro, mas nada tão histórico que mereça um segundo parágrafo. De qualquer forma, os temas desta coluna não […]

Eu já escrevi aqui sobre o risco de personalizar em excesso decisões em política externa. Aquela história de Barack Obama ser isso ou aquilo quando decide isso ou aquilo (um agente da frouxidão, um agente de causas sinistras, um agente do imperialismo estadunidense, um agente da politicagem). A lição de casa deste domingão é literalmente uma lição de casa de como republicanos e democratas se posicionam em política externa. O foco de Robert Kaplan, da empresa de sacadas estratégicas Stratfor (rival do Instituto Blinder & Blainder?) é mais nos republicanos, mas quem não for preguiçoso e ler a pensata (nada grande) até o final verá como Kaplan coloca Obama no seu devido lugar. Embora republicanos neguem isto de forma furiosa, […]

No final de semana (e para fechar novembro), uma saideira iraniana, cortesia do Wall Street Journal. O tema são as consequências não intencionais. Nas negociações multilaterais, os EUA e seus parceiros querem desacelerar o programa nuclear iraniano (não mais desativá-lo totalmente, como Israel e Arábia Saudita exigem). Mas, o efeito pode ser o de acelerar o programa nuclear de outros países. Sucessivos governos americanos trabalharam para impedir que vários aliados, como Coreia do Sul e países árabes, possam enriquecer urânio, face ao risco de uso militar. Mas, ao aceitar agora que o Irã tenha este direito, embora supostamente sob rígido controle internacional, o risco é o de que as porteiras sejam abertas para outros países exigirem o mesmo direito. Como adverte […]

A coluna foi esta semana basicamente devotada à crise nuclear iraniana: as dúvidas quanto ao acordo da comunidade internacional com o regime e se também é sensato botar fé em alguma abertura sob o presidente Hassan Rohani, que hoje se movimenta graças à rédea um pouco mais solta do ardiloso líder supremo, o aiatolá Khamenei. Mas, não dá para terminar esta semana sobre dilemas sem um lamento: acordos como estes, assim como o da destruição do arsenal químico do ditador sírio Bashar Assad, são pactos com o diabo. No grande jogo estratégico talvez evitem a guerra regional, mas não impedem a sobrevida no poder dos Khameneis e dos Assads, que continuam matando sua gente e a dignidade humana. Não se trata hoje […]

Eu também tenho culpa no cartório. Personalizo demais o jogo da política externa. Isto simplifica as explicações sobre jogadas estratégicas mais complexas, sobre mudanças históricas ou sobre o processo decisório. Claro que estamos falando dele, nem preciso dar o nome, triplicado no título da coluna. Ele andando sobre a água, debaixo dela, boiando. Aqui na coluna, nos comentários dos leitores, temos de tudo, embora menos do que em tempos atrás daquelas caricaturas de chamá-lo de Hussein, de terrorista islâmico, de queniano, de antiamericano ou de emissário sinistro de uma nova ordem mundial. Entre o pessoal mais crítico (sim, existem muitos a favor dele e de sua guinada estratégica) há um esforço mais maduro (opa, nenhum dirigente sério quer este tipo […]

Vamos esclarecer: não se trata de preguiça para escrever ou dar minha própria opinião, mas se trata de um ritual da coluna. Se o assunto é Oriente Médio, não pode faltar a contabilidade do meu guru Jeffrey Goldberg (aliás, Goldberg & Blinder soa como nome de firma de contabilidade em Nova York). Então, vamos para as contas do Goldberg. Ele diz que com este acordo nuclear iraniano, o presidente Barack Obama atingiu 50% de suas metas na política direcionada ao país dos aiatolás. A primeira meta: impedir o regime iraniano de conseguir a posse de armas nucleares. A segunda: impedir Israel de atacar as instalações nucleares iranianas. A segunda foi atingida. Obama encurralou Benjamin Netanyahu de tal forma que não […]

Nos últimos meses, dois dos mais infames regimes no mundo foram premiados. O ditador sírio Bashar Assad, aquele que usa armas químicas contra civis na guerra civil, teve uma sobrevida. A comunidade internacional fez um cálculo que era melhor costurar um acordo para a destruição do arsenal químico de Bashar Assad ao invés de puni-lo ou ampliar a guerra civil na Síria. Com a ditadura teocrática do Irã houve o cálculo internacional de premiar os seus setores mais razoáveis (encabeçados pelo presidente Hassan Rohani) e investir num penoso processo diplomático para conter o seu programa nuclear ao invés de partir para a ignorância. Por topar contenção e controle do seu programa nuclear, o Irã será beneficiado pela suavização das sanções […]

Os 50 anos do assassinato de John Kennedy bombardeiam o noticiário, assim como um assunto realmente quente que é a crise nuclear iraniana, com os debates sobre negociar e conter o regime de Teerã (postura americana) ou encurralar os aiatolás até que eles desistam completamente do seu programa nuclear (postura israelense). Como Kennedy, o atual presidente americano, Barack Obama, era um jovem, inexperiente e charmoso senador quando foi eleito. Kenneth Pollack, um conhecido estrategista geopolítico e militar em Washington, argumenta que as crises de John Kennedy no auge da Guerra Fria oferecem lições para os dueladores atuais. Pollack diz que no seu duelo com o líder soviético Nikita Khrushchev, Kennedy frustrou as ambições de Moscou e ajudou os EUA a evitarem a […]

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