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Nestes tempos de incerteza, turbulência e marchas e contramarchas do populismo na Europa e EUA, sempre tivemos a âncora Merkel. No entanto, mesmo na sólida, previsível e meio entediante Alemanha, são tempos do “novo normal”. Como sabemos, a democrata-cristão Angela Merkel não triunfou nas eleições de setembro e empacou esta semana para formar uma coalizão de governo com partidos pequenos (os verdes e os liberais). Talvez nos próximos dias, seja possível espremer alguma acordo até com a social-democracia, relutante para ser novamente parceira júnior dos conservadores. Os dois partidões alemães perderam votos, o que permitiu a ascensão de partidos extremistas, em particular da direita, a Alternativa para a Alemanha, que começou com um projeto de euroceticismo e hoje se rendeu […]

Em maio, foi alívio no mundo civilizado com a vitória retumbante de Emmanuel Macron contra Marine Le Pen nas eleições francesas. Agora no domingo, foi a vitória decepcionante de Angela Merkel nas eleições alemãs. A diferença, claro, é que em maio a escolha era binária em eleições presidenciais. No domingo, havia espaço para voto de protesto em eleições parlamentares. E, assim foi a decepção para aliança conservadora de Angela Merkel com 33% dos votos e os melancólicos 20% para os social-democratas, que até agora integravam uma grande coalizão de governo. O tédio político acabou na Alemanha. A grande história, obviamente, é a entrada no Parlamento da extrema direita, pois a Alternativa para a Alemanha arrebatou 13% dos votos. E olha […]

Quem acompanha o meu trabalho, sabe da minha parcialidade sobre Angela Merkel, a primeira-ministra alemã. Estou à esquerda dela, embora compartilhemos da moderação, com Frau Angela localizada na centro-direita do espectro e olhe lá. Isto, porém, é o de menos. Eu prezo o bom senso da primeira-ministra alemã e seu papel de âncora do projeto europeu. Com a aparição de Donald Trump no cenário, ela para mim se tornou a legítima líder do mundo live, secundada agora pelo noviço presidente francês Emmanuel Macron. Frau Angela claro que é imperfeita e errou no cálculo há dois anos ao superestimar a capacidade alemã e europeia para absorver refugiados. Sofreu um desgaste político, mas soube se recompor, dando uma endireitada na sua política. […]

Troca no poder é saudável em uma democracia, mas vamos deixar Angela Merkel lá no comando em Berlim. Ela deve emplacar um quarto mandato nas eleições deste domingo. Bom para a Alemanha, para a Europa e para o mundo Em um cenário turbulento, é bom ter Angela Merkel no timão. Stefan Kornelius, biógrafo da primeira-ministra democrata-cristã, a define em três palavras: “estabilidade, estabilidade, estabilidade”. Os alemaēs têm navegado em águas calmas e prósperas nestes 12 anos de governo Merkel. Imagine, ela já conviveu com três presidentes americanos e quatro franceses. Foram quatro primeiros-ministros britânicos, seis italianos e sete japoneses. Os americanos tomaram um rumo incerto ao darem o timão a uma espécie de tio louco (em inglês, soa melhor, crazy […]

São dias inglórios e tenebrosos para a Alemanha na véspera do Natal devido ao atentado de segunda-feira em Berlim. São as vítimas diretas e indiretas, como Angela Merkel. Sua política de portas abertas para os refugiados já estava fragilizada com a onda do terror islâmico que assolou a Europa nos últimos tempos. Agora, a primeira-ministra deve acelerar o seu recuo, embora a gente não saiba exatamente, pelo menos quando publico este texto, quem praticou a barbaridade em Berlim. Muito se fala que com a ascensão de Donald Trump, Angela Merkel tenha sido alçada contra sua vontade à condição de líder do mundo livre, ou seja, da ordem erguida após a Segunda Guerra Mundial. Trump será a figura mais poderosa do […]

Iniciado na terça-feira a portas fechadas em Teerã, o julgamento com acusações que incluem “espionagem” do jornalista Jason Rezaian por si é inquietante. Correspondente do jornal The Washington Post no país e com dupla cidadania (americana e iraniana), Rezaian está preso há dez meses. Seu julgamento, conduzido em uma corte normalmente responsável por casos de segurança nacional, está sendo descrito como “vergonhoso” pelo Washington Post. Rezaian foi detido sem acusação formal e levado para a infame prisão de Evin (que já era masmorra nos tempos da ditadura do xá Reza Pahlevi, anterior à revolução islâmica). Por um bom tempo da detenção, o jornalista ficou na solitária e teve assistência médica negada. Agora, ele é acusado de passar informações a “governos hostis” […]

Os regimes que governam o Irã e Cuba são delinquentes e cometem gravíssimas violações dos direitos humanos, mas o prontuário não é motivo suficiente para impedir avanços nas relações dos EUA com ambos. Se fosse assim, como sabemos, Washington deveria virar as costas para uma penca de aliados. Vou destacar apenas Arábia Saudita, onde nesta semana foi decapitada uma empregada doméstica indonésia sentenciada à morte por homicídio. A delinquência política do Irã e de Cuba, no entanto, é o pretexto para os esforços de setores conservadores nos EUA para 1) tentar torpedear o acordo nuclear e 2) reverter a aproximação com Cuba. Nas frentes das duas batalhas estão Marco Rubio e Ted Cruz, dois senadores republicanos, de origem cubana e pretendentes […]

O que há em comum entre Hassan Rouhani e Raúl Castro? Os presidentes do Irã e Cuba estão no poder graças às bençãos de líderes supremos, os barbudos aiatolás Khomeini e Fidel Castro. Agora, ambos estão na linha de frente na política de aproximação de seus países com os EUA, um processo mais frágil no caso iraniano devido à complexidade e às incertezas do acordo nuclear. Para Rouhani, é um momento de alívio, pois há uma semana foi acertado o esboço de acordo na Suíça (negociações penosas adiante, até junho). Para Castro, será um momento de triunfo, com as imagens de sua presença na Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá (a partir de sexta-feira), onde também estará Barack Obama, assim simbolizando […]

Esta segunda-feira é dia de triangulações. Eu abri a semana com um texto sobre a triangulação Washington-Havana-Teerã. O espaço vespertino é de Eurípedes Alcântara, diretor de redação de VEJA, sobre a conexão Irã-Venezuela-Argentina. Boa leitura. *** Eurípedes Alcântara Apesar das diferenças culturais e das vertentes históricas nem sempre coincidentes, os países da nossa América do Sul tendem a mover-se coordenadamente em política. O caudilhismo, a mímica do fascismo europeu, as turbulentas experiências democráticas do pós-guerra, os regimes militares durante a Guerra Fria e, agora, o populismo “dependendista”– em que, idealmente, o nascimento, vida e morte de empresas, e quem sabe, de pessoas — depende unicamente da vontade do Estado. Movemo-nos em nossos países acompanhando o eixo pendular de forças tectônicas […]

Do legado em política externa, Barack Obama já pode colocar na coluna de ganhos, uma conquista modesta em termos de importância estratégica, embora carregada de simbolismo: a restauração dos laços diplomáticos dos EUA com Cuba. Um avanço bem mais significativo é a busca de um acordo nuclear abrangente com o Irã, cujo esboço foi acertado na semana passada. São dois países que têm uma tradição de ódio visceral dos americanos, os malditos imperialistas ianques, o Grande Satã. A aliança de Cuba com o Irã dos iatolás remonta à revolução islâmica de 1979. Fidel Castro foi um dos primeiros chefes de estado a reconhecer o novo regime implantado pelo aiatolá Khomeini, insistindo que não havia “contradição entre revolução e religião”. Khomeini […]

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