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As torres antes daquele dia – Foto Peter J. Eckel/ AP   Há exatamente cinco anos, 11 de setembro de 2010, eu inaugurei meu trabalho em VEJA.com. Data solene e triste, mas estou muito feliz com esta oportunidade. O tema da primeira coluna, obviamente, foi aquele 11 de setembro. A data foi sugestão de Eurípedes Alcântara, diretor de redação de VEJA (sim, chefe pode ter ótimas ideias). No ritual, republico a coluna inaugural. Leia ou releia. *** Eu fui atacado em 11 de setembro de 2001 pelos homicidas de Osama Bin Laden. E você também. Além de derrubar aquelas torres horrendas do World Trade Center, em Manhattan, e matar muita gente, a ideia era destruir uma babel de conceitos como […]

Já escrevi aqui que o acordo nuclear é uma grande vitória para o Irã. O acordo não desmantela totalmente este programa, levanta as sanções internacionais e depende da eficácia de inspeções também internacionais para não ser violado ao longo de 15 anos. O acordo também é uma vitória para o presidente Obama, cristalizada pelo sucesso esta semana do seu lobby para neutralizar a ofensiva do Congresso de maioria republicana com apoio de alguns democratas para detonar o que foi acertado em penosas negociações internacionais. Para Obama, é vital terminar seu mandato em janeiro de 2017 sem que o Irã tenha uma bomba atômica. O projeto do presidente é acomodar o Irã no Oriente Médio em busca de um equilíbrio estratégico […]

Angelo Costa, um leitor respeitado por todos na coluna (e isto é difícil aqui, hehehe) observou que eu estou em cima do muro neste acordo nuclear com o Irã. Correto e posso acrescentar que estou agnóstico e resignado. É o que é. O tom de resignação está patente nas reflexões iniciais sobre o acordo de Jeffrey Goldberg, meu guru para estas questões de Oriente Médio. Goldberg é cadeira cativa na coluna. Eu até já brinquei que nos dois juntos temos nome de firma de contabilidade em Nova York (Goldberg & Blinder). E quando ele faz a contas, Goldberg estima que o regime teocrático que manda no Irã sai mais poderoso com este acordo. Nas palavras dele, “esta triste conclusão é […]

Há 200 anos (9 de junho de 1815), as potências europeias finalizaram nove meses de negociações e pariram um acordo (um concerto) para trazer estabilidade e equilíbrio de poder depois das guerras napoleônicas. Funcionou em linhas gerais até a Primeira Guerra Mundial, cem anos mais tarde, que trouxe ainda mais destruição. Uma figura-chave nas negociações e cérebro de conceitos como legitimidade das nações e balança de poder foi o príncipe austríaco Klemens Wenzel von Metternich. Agora, na terça-feira, após uma exaustiva maratona de 18 dias (os tempos são mais velozes), as potências mundiais e o Irã (que tem aiatolá, mas não Napoleão) finalizaram as negociações na mesma Viena, velha de guerra e de diplomacia, para um acordo nuclear e um projeto […]

O acordo nuclear finalmente costurado em Viena é uma grande vitória para o Irã. O país deixa de ser pária na comunidade ocidental com a suspensão gradativa das sanções internacionais em troca de rígidos limites nas suas atividades nucleares durante 10 anos. O ônus caberá à comunidade international na eficaz inspeção das instalações nucleares do país (o acesso será profundo, mas não automático), assim como na sua efetiva capacidade para recolocar nos trilhos o trem das sanções em caso de violações. O objetivo é fazer com que o Irã permaneça pelo menos 12 meses distante da capacidade de fabricar a bomba (pelo acordo, o Irã reduzirá em 2/3 sua capacidade de produzir urânio enriquecido). Vitória também para a diplomacia Obama, […]

Como parte de sua campanha para torpedear o acordo sobre o programa nuclear iraniano, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quer que o mundo aceite este acordo apenas depois que o regime xiita de Teerã reconhecer o direito de existência de Israel. Claro que isto deveria ser uma obrigação de qualquer país e o regime iraniano é odioso, antissemita e perigoso. No entanto, Netanyahu não acertou na mosca. Errou de longe o alvo. O presidente Obama foi certeiro ao lembrar em entrevista à rádio publica americana NPR que “nós não queremos que o Irã tenha armas nucleares porque não podemos apostar na mudança de regime”, ou seja, negociar é preciso pois o regime é odioso, antissemita e perigoso. Como disse Obama, “se, […]

Está aí o esboço de um acordo nuclear, que em princípio restringe drasticamente as atividades iranianas no setor em troca do levantamento das sanções internacionais. Mais penosas negociações adiante, até o final de junho. Dá para confiar no regime xiita de Teerã? Claro que não. A questão crucial, além de mecanismos intrínsecos para o efetivo sucesso da contenção do programa nuclear iraniano, é o cálculo político lá em cima. Como muita gente, eu acho que a chave está nas mãos do líder supremo, o aiatolá Khamenei. Não sabemos ainda se ele decidiu se compensa converter a capacidade nuclear iraniana em uma bomba. No entanto, eu sei que concordar com o acordo nuclear leva o regime iraniano a se acomodar na […]

As negociações sobre o programa nuclear iraniano se arrastam há 12 anos. Agora, depois de uma maratona diplomática de oito dias em Lausanne, na Suíça, houve concordância sobre um esboço com vistas a um acordo definitivo a ser finalizado até 30 de junho. Negociar penosamente é preciso, diante da falta de alternativas viáveis. O Irã foi para a mesa de negociação para valer quando sentiu o impacto das sanções internacionais. Russos e chineses estão interessados no fim das sanções e também não querem um Irã prontinho para ter uma bomba nuclear. Países ocidentais, chefiados pelos EUA, negociam porque não querem atacar militarmente as instalações nucleares do Irã. Não existe apetite para a empreitada e o impacto seria duvidoso (pode ser […]

As negociações sobre o programa nuclear iraniano se arrastam, são esticadas e se revelam renhidas. A correlação de forças não é exatamente Honduras x El Salvador. Precisamos tirar o chapéu (ou o turbante) para os iranianos. A perseverança dos seus negociadores é invejável. O brilho tático é reconhecido pelos interlocutores e veteranos de maratonas diplomáticas. A capacidade de criar surpresas é exasperante. E obviamente impressiona quando vemos a correlação de forças: lá está o Irã, que não passa de uma potência regional no Oriente Médio, peitando o outro lado, que é basicamente o comando do mundo: EUA, União Europeia (Grã-Bretanha, França, Alemanha), Rússia e China. No entanto, esta enorme desvantagem se converte em vantagem. O mínimo denominador comum une países […]

Antes de tudo, eu quero saudar os sete senadores americanos da maioria republicana que não se juntaram a 47 partidários para torpedear a diplomacia do presidente democrata Barack Obama. Os 47 escreveram esta semana uma carta à “liderança iraniana”, explicando que o Senado tem o direito de vetar os tratados internacionais firmados pelo presidente e lembrando que quando Obama deixar a Casa Branca em 2017 seu sucessor poderá revogar qualquer acordo sobre o programa nuclear iraniano. Em suma, os senadores republicanos deram um toque no aiatolá Khamenei para não confiar no presidente Obama. Para ser didático, o Executivo precisa do consentimento do Senado para ratificar um tratado internacional. No entanto, a preferência da Casa Branca, sob qualquer partido, é o […]

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