Barack Obama está num sobe-desce (dentro de casa mais no desce). Lá fora, depende. O fã-clube global está bem menos frenético e a reunião do G-20 em Seul mostra como autoridades de Berlim a Brasília não dão muita colher-de-chá para os lances de Washington de inundar os mercados com bilhões de dólares para fortalecer a economia, mas ao preço do enfraquecimento da moeda americana, o que prejudica a competividade de países exportadores.  Mas Obama teve um sobe importante em sua viagem asiática na escala feita na Índia. Por lá foi um Tea Party (festa do chá) que o presidente gosta. Obama seguiu as pegadas dos antecessores Bill Clinton e George W. Bush e cimentou ainda mais a parceria estratégica com a Índia, ou […]

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No, he can’t.  Foi uma humilhação para ele.  Mas não é apocalypse now para o presidente Barack Obama e muito menos para o país. Na terça-feira, os eleitores americanos determinaram uma correção de curso e removeram o Partido Democrata do comando da Câmara dos Deputados. Os republicanos tiveram avanços significativos, mas não conseguiram conquistar o Senado. Não existe como dourar a pilula. Será mais difícil para o presidente sorrir, mais há muito chão pela frente até 2012. O republicano Ronald Reagan e o democrata Bill  Clinton sobreviveram ao desastre legislativo no primeiro mandato e foram reeleitos de forma confortável. Mas, de volta ao sorriso. No seu próximo discurso sobre o “estado da união”,  no começo do ano que vem (foto […]

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Os tutelados chegam ao poder. Em 2008, após dois mandatos (limite constitucional), Vladimir Putin guindou Dmitri Medvedev à presidência russa. Agora é a vez de Lula, presidente dos dois mandatos, fazer o mesmo no Brasil com sua tutelada Dilma Rousseff.  Existem algumas similaridades gritantes. Dilma e Dmitri são tecnocratas, fizeram carreira à sombra do líder supremo, trabalharam em Casa Civil e no setor de energia.   A Rússia, porém, obviamente não é o Brasil. Deixou de ser uma tirania comunista, mas não é uma democracia, enquanto no Brasil as liberdades são mais amplas. Logo, a adulação e o culto a personalidade de Putin são ainda mais orquestrados do que no Brasil de Lula. Putin é um pai do povo mais autoritário e […]

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As hostes democratas de Barack Obama antecipam algumas narrativas para o day after ao 2 de novembro, data das eleições para a renovação de toda a Câmara dos Deputados, 1/3 do Senado e 37 dos 50 governos estaduais. Vamos lá: 1) se as hordas republicanas não conquistarem as duas Casas do Congresso será uma derrota para uma oposição que tanto bravateou este cenário. 2) por maior que seja uma derrota democrata, nada de desolação na medida em que correção de curso acontece em eleições não presidenciais. Basta ver que o republicano Ronald Reagan e o democrata Bill Clinton tomaram de lavada em eleições intermediárias e foram reeleitos com folga. 3) Uma sequência da segunda narrativa é o consolo de que […]

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País com 50 milhões de habitantes no sudeste asiático, Mianmar (a ex-Birmânia) é um dos mais pobres e reclusos do mundo. Nação governada de forma brutal, corrupta e obscena pelos militares desde 1962, Mianmar quer dar lições ao mundo. Terá eleições gerais em 7 de novembro. Ao anunciar que observadores e jornalistas estrangeiros não poderão dar as caras para fiscalizar e cobrir o evento, o presidente da comissão eleitoral, Thein Soe, justificou, dizendo que “nós temos abundante experiência na realização de eleições”. Nada mais abundante por lá do que a carência de democracia. Há abundância também de crimes contra a humanidade, praticados pelos militares.   As eleições foram convocadas (e abençoadas pelo grande aliado chinês) em uma farsa para dar legitimidade ao regime, que tem como chefão […]

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O mundo é um jogo excitante e existe sempre a tentação de refazer o globo, de tratá-lo como nosso brinquedo de estimação e enquadrá-lo em categorias que justifiquem lances geopolíticos, ambições de poder, empreitadas econômicas e marketing de produtos e idéias. Estão aí Hitler e o Grande Ditador Charlie Chaplin para mostrar o perigo ou o ridículo de tantas jogadas. Um pequeno ditador dos tempos modernos nestes lances de refazer o globo é Jim O´Neill, hoje economista-chefe do banco Goldman Sachs. Ele nos brindou com o conceito dos Brics, os quatro tijolos emergentes da nova ordem econômica mundial:  Brasil, Rússia, Índia e China. As brincadeiras dos acrônimos e a sopa de letrinhas têm variações infindáveis, algumas mais  frouxas em termos de conceituação […]

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A China é o número um dos Brics, o mais emergente dos emergentes. Mas por lá nada emerge com clareza sobre o processo político, muito menos o sucessório. O povo é o partido comuno-capitalista, né? Por lá, não tem estas frescuras de democracia burguesa, esta chatice de debate presidencial ou candidato movido a marqueteiro. Por lá, tudo acontece estritamente intramuralhas. Esta semana, soubemos que o vice-presidente Xi Jinping deu um passo estratégico para assumir o poder dentro de dois anos no lugar de Hu Jintao.   Xi Jinping foi nomeado para a vice-presidência da Comissão Militar Central, instância de poder, ao lado da secretaria-geral do Partido Comunista e da presidência.  Xi Jinping avançou de forma decisiva depois de algumas declarações […]

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Como em 11 de setembro de 2001, pessoas em todas as partes do mundo grudaram os olhos na televisão e passaram a acompanhar na noite de terça-feira as imagens do início do resgate dos 33 mineiros chilenos, soterrados há mais de dois meses. Existe o espetáculo, existe o circo da mídia, existe oportunismo político, existe a armação do circuito de celebridades para os sobreviventes, existe. E daí? É bom ver na televisão imagens de vida, da resiliência do ser humano e não da morte teleguiada por terroristas suicidas. É bom ver uma celebração chilena e não uma imagem desoladora do terremoto que causou destruição no país. Melhor ver esta imagem do Chile em 2010 do que uma imagem clássica do país […]

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Governos forjam imagens e se vendem como marcas (sou meio colonizado, prefiro a expressão branding). O governo Lula, com sua pretensão de se alongar como um regime, investe  no branding do nunca-na-história-deste-país. como se fosse um marco zero da dita cuja. O regime comunista chinês (é mais do que um mero governo) sobrevive em uma civilização antiga e tem referenciais históricos, digamos, mais sofisticados do que do presidente brasileiro. Para sua sobrevida, o regime aprontou um rebranding. O projeto é forjar uma imagem da China que combina tradições confuncianas de estabilidade social com a modernidade econômica, num coquetel vitaminado pelo nacionalismo, que hoje tem muito mais apelo do que o comunismo. Slogans ilustrativos deste rebranding são capitalismo autoritário e leninismo de mercado. A idéia é prosperidade […]

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É fácil sair em defesa do Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, condenado pelo infame regime comunista chinês a onze anos de prisão por “incitar a subversão”. E como defender o infame extremista de direita (e popular deputado) Geert Wilders, que está sendo julgado na supostamente tolerante Holanda por “incitar o ódio” contra os muçulmanos? Resposta difícil, saia justa, dá vontade de se esconder na burqa. Este louro oxigenado, de fato, destila ódio, mas não é o nosso típico neonazista. Wilders não é antissemita. Defende Israel fervorosamente, assim como os direitos dos gays e das mulheres. Seu alvo formal não são os estrangeiros.  A saraivada verbal é disparada contra uma uma religião (o islamismo, que ele trata como uma ideologia) e não os muçulmanos. Wilders […]

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