A China é o número um dos Brics, o mais emergente dos emergentes. Mas por lá nada emerge com clareza sobre o processo político, muito menos o sucessório. O povo é o partido comuno-capitalista, né? Por lá, não tem estas frescuras de democracia burguesa, esta chatice de debate presidencial ou candidato movido a marqueteiro. Por lá, tudo acontece estritamente intramuralhas. Esta semana, soubemos que o vice-presidente Xi Jinping deu um passo estratégico para assumir o poder dentro de dois anos no lugar de Hu Jintao.   Xi Jinping foi nomeado para a vice-presidência da Comissão Militar Central, instância de poder, ao lado da secretaria-geral do Partido Comunista e da presidência.  Xi Jinping avançou de forma decisiva depois de algumas declarações […]

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Como em 11 de setembro de 2001, pessoas em todas as partes do mundo grudaram os olhos na televisão e passaram a acompanhar na noite de terça-feira as imagens do início do resgate dos 33 mineiros chilenos, soterrados há mais de dois meses. Existe o espetáculo, existe o circo da mídia, existe oportunismo político, existe a armação do circuito de celebridades para os sobreviventes, existe. E daí? É bom ver na televisão imagens de vida, da resiliência do ser humano e não da morte teleguiada por terroristas suicidas. É bom ver uma celebração chilena e não uma imagem desoladora do terremoto que causou destruição no país. Melhor ver esta imagem do Chile em 2010 do que uma imagem clássica do país […]

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Governos forjam imagens e se vendem como marcas (sou meio colonizado, prefiro a expressão branding). O governo Lula, com sua pretensão de se alongar como um regime, investe  no branding do nunca-na-história-deste-país. como se fosse um marco zero da dita cuja. O regime comunista chinês (é mais do que um mero governo) sobrevive em uma civilização antiga e tem referenciais históricos, digamos, mais sofisticados do que do presidente brasileiro. Para sua sobrevida, o regime aprontou um rebranding. O projeto é forjar uma imagem da China que combina tradições confuncianas de estabilidade social com a modernidade econômica, num coquetel vitaminado pelo nacionalismo, que hoje tem muito mais apelo do que o comunismo. Slogans ilustrativos deste rebranding são capitalismo autoritário e leninismo de mercado. A idéia é prosperidade […]

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É fácil sair em defesa do Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, condenado pelo infame regime comunista chinês a onze anos de prisão por “incitar a subversão”. E como defender o infame extremista de direita (e popular deputado) Geert Wilders, que está sendo julgado na supostamente tolerante Holanda por “incitar o ódio” contra os muçulmanos? Resposta difícil, saia justa, dá vontade de se esconder na burqa. Este louro oxigenado, de fato, destila ódio, mas não é o nosso típico neonazista. Wilders não é antissemita. Defende Israel fervorosamente, assim como os direitos dos gays e das mulheres. Seu alvo formal não são os estrangeiros.  A saraivada verbal é disparada contra uma uma religião (o islamismo, que ele trata como uma ideologia) e não os muçulmanos. Wilders […]

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É com imenso prazer que eu atualizo este texto, inicialmente publicado na quarta-feira.  O dissidente Liu Xiaobo foi, de fato, agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 2010,  “por sua longa e não violenta luta por direitos fundamentais na China”. Um prêmio pelos direitos humanos, para a humanidade. *** Eu espero atualizar este texto na sexta-feira com o anúncio de que o dissidente chinês Liu Xiaobo é o novo Prêmio Nobel da Paz. Não é o anúncio aguardado pelo regime comunista, que está em campanha aberta contra a premiação. Uma porta-voz do governo de Pequim disse que honrar Liu Xiaobo “é completamente contra as aspirações do Prêmio Nobel da Paz”. Como assim? Eu espero que Xiaobo passe a integrar a galeria de Andrei […]

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Foram semanas desanimadoras para o nosso Cristo Redentor. Ele tinha motivos para manter os braços abertos de forma desconsoladora. Imagine, quanta presunção. Vá la, ele é um importante e histórico presidente brasileiro, mas como alçar Luiz Inácio Lula da Silva lá para cima, no Corcovado?  Na semana passada, um ilustrador do, em geral pouco deslumbrado,  Financial Times, tacou ou tascou um Lula de Cristo Redentor. Pelo menos naquela capa antológica da revista The Economist, em novembro de 2009, era o Brasil, na figura do Cristo Redentor, que decolava no rabo do foguete. Atente que eu menciono surtos de canonização (para não dizer coisa ainda mais santa) do Brasil-Lula, aqui do lado de fora. Você aí julga como é dentro de casa. Em […]

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A história será mais generosa do que tantos oráculos de plantão e palanqueiros com a “herança bendita” de políticos como Fernando Henrique Cardoso. Pronto: já chamei a atenção e marquei posição sobre um assunto local neste espaço metido a global, mas FHC é apenas o gancho para falar de Tony Blair, um outro político submetido a um injusto ostracismo e que foi companheiro de estrada (a terceira via) do ex-presidente brasileiro Claro que o ex-primeiro-ministro trabalhista britânico (1997-2007) é bem mais visível (e vistoso) do que FHC. Mesmo no ostracismo, Blair está ativo na mediação diplomática do Oriente Médio e há semanas se movimenta no circuito promocional de lançamento de suas memórias (A Journey). O livro é best-seller na Grã-Bretanha e EUA, mas seu lançamento […]

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O presidente Lula está louco para conseguir uma cadeira permanente para o Brasil nesta mesa em formato de ferradura no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em quase oito anos de mandato, fez loucuras (tem ainda parcos meses para fazer mais) para concretizar a ambição, como dar apoio a qualquer dirigente genocida ou pilantra do Terceiro Mundo. Tudo bem que o ministro das Relações Exteriores considere este raciocínio coisa de “gente mesquinha”  (eu estou nessa). De qualquer forma, em razão de algumas mesquinharias eleitorais e domésticas (Casa Civil), Lula não pôde aparecer no corrente festival verborrágico da assembleia-geral das Nações Unidas. Não sou totalmente mesquinho e, obviamente, evidentemente, claramente, reconheço a fluidez da ordem internacional e o avanço econômico e mesmo diplomático de países […]

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Não existe como negar o pódio para Mahmoud Ahmadinejad na assembléia-geral das Nações Unidas. A atitude protocolarmente correta é abandonar o recinto durante o discurso cheio de sandices, bravatas, incoerências e perorações messiânicas. Em outras palavras, o espetáculo de realidade alternativa do presidente iraniano e seu sorriso indecente. Mas a imprensa não deveria conceder um palanque para Ahmadinejad. Deveria negar espaço para o negador do Holocausto. Por que entrevistar o homem?  Mesmo os mais hábeis profissionais fracassam. Perguntas duras e diretas são respondidas com evasivas, desconversas e mentiras. Uma das técnicas favoritas de Ahmadinejad é despejar sua sem-vergonhice no outro lado. Cobrado sobre violações dos direitos humanos no Irã (em particular na sentença de apedrejamento por adultério de Sakineh Mohammadi Ashtiani ), o presidente iraniano questiona o prontuário […]

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No, I can’t.  Há muitos assuntos e picuinhas, até mais interessantes, mas eu não posso deixar de falar de Barack Obama na segunda “estréia” desta coluna. Confissão: fui obamista de primeira hora, desde os tempos em que ele se apresentou como o  “magrela de nome esquisito” na convenção do Partido Democrata em 2004. Há malucos ainda discutindo se Obama é muçulmano ou se realmente nasceu no Havaí, mas a esquisitice em geral acabou e já estamos naquele terreno familiar de um presidente que vai ladeira abaixo após se desprender das amarras das altas expectativas e fazer acenos messiânicos. O messianismo agora está na banda de lá,  apregoado pelo showman Glenn Beck. As coisas poderiam estar bem piores (taxa de aprovação na casa dos 40%). […]

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