O declinismo está em alta nos EUA (tradução: ascensão da China), os americanos estão pessimistas sobre o futuro, desolados com sua liderança política (num estado de espírito bipartidário), lamentam uma década perdida na economia e cada vez mais alheios aos problemas mundiais. Está aí, portanto, uma penca de problemas que não contribui para um ambiente muito festivo no 4 de julho, a data da independência dos EUA. Nada de fogos de artfício? Que nada, vamos celebrar, embora eu fique constrangido com a patriotada do number one, number one, USA, USA. Mas pior são os derrotistas, os rancorosos e os inimigos automáticos. Esta coluna torce contra, ela torce contra o antiamericanismo. Não se trata, é claro, de negação dos problemas. Imagine, […]

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Como dizia o ex-presidente americano Ronald Reagan, there you go again. Eu, não. Eles vão de novo: centenas de ativistas antiisraelenses (termo mais apropriado do que pró-palestinos) singrando nos mares já navegados pela Flotilha da Liberdade para desafiar o bloqueio de Israel em torno de Gaza. Em maio do ano passado, a provocação teve um desfecho sangrento. Nove passageiros da embarcação turca Mavi Marmara morrreram quando comandos israelenses tomaram o barco, num incidente em que nem todos ativistas eram pacifistas e ardorosos defensores da desobediência civil. A reedição (felizmente) já enfrenta vários obstáculos (problemas de registro dos barcos, falta do seguro, sabotagem e desistência de muitos ativistas), o que deve adiar o início desta jornada com pretensões épicas. Com o […]

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O comandante-em-chefe Barak Obama não assumiu a doutrina Aiken no Afeganistão. George Aiken foi o senador republicano que na guerra do Vietnã recomendou que os EUA deveriam simplesmente “declarar vitória e cair fora”. O desfecho no Vietnã foi caótico (para os americanos) com a imagem inesquecível de debandada de helicópteros do telhado da embaixada na ex-Saigon. O anúncio de redução de tropas americanas no Afeganistão (33 mil soldados até o final de 2012) foi um daqueles lances de Obama em que ele se desdobra para fazer média com todos e frustra meio mundo. Analistas e humoristas não perdoaram e repetiram que o presidente quer partir e quer ficar. O senador Aiken teria ficado irritado. Mas, no final das contas, é […]

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Como eu estou indo para a briga contra David Mamet, diretor do filme Cinturão Vermelho, melhor estar protegido por Christopher Hitchens, outro mestre do jiu-jitsu verbal. O premiado autor, dramaturgo, roteirista, diretor e produtor Mamet acaba de publicar uma coleção de ensaios, na qual pontifica sobre sua conversão de liberal exacerbado em conservador exacerbado. Que arenga deste afiado artíficie das letras. O nome da peroração é Secret Knowledge (Conhecimento Secreto, editora Sentinel). E, como diz o meu protetor Hitchens, numa resenha no New York Times, trata-se de um “livro extraordinariamente irritante”, escrito por uma daquelas pessoas que, acreditando ter perdido a fé, acredita ter encontrado a razão. Nenhuma indignação em si com a conversão de Mamet, que ja fora anunciada […]

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A defesa dos direitos humanos é uma razão de ser desta coluna. Momento de lembrar gigantes. No sábado morreu, em Boston, Yelena Bonner, aos 88 anos, mulher de outro gigante, o marido Andrei Sakharov (1921-89), um dos pais da bomba de hidrogênio soviética e mais tarde Prêmio Nobel da Paz. Que dupla! O apartamento do casal em Moscou (antes e depois do exílio em Gorki) era o quartel-general do movimento dissidente que combatia o monstro socialista soviético. Yelena Bonner não era meramente a mulher de um dissidente lendário. Era metade de um time em ação. Mulher de incrível coragem, temperamento forte e talento organizacional, ela radicalizou Sakharov, que nas suas memórias escreveu que Yelena o tinha “ensinado a prestar mais […]

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O Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, triunfou nas eleições turcas em 12 de junho. Poderia ter sido pior. Erdogan, definido como líder de um movimento neoislâmico (moderno e moderado), não conseguiu a supermaioria de 2/3 das cadeiras no Parlamento. Tal resultado permitiria mudanças unilaterais na Constituição para cimentar ainda mais o seu poder e abrir caminho para a criação de uma presidência forte, ao estilo francês. Na verdade, o projeto do neoislâmico Erdogan tem algo do neo-soviético Vladimir Putin, com o poder formal se ajustando aos seus ditames. A legitimidade política de Erdogan é indiscutível, mas triunfo eleitoral não é o mesmo que democracia, embora seu projeto seja saudado como um experimento em que o […]

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Marine Le Pen, a nova líder da Frente Nacional, o partido da extrema-direita francesa, não caiu do céu. A filha do ex-paraquedista Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, brota de um solo fértil, não apenas na França, mas na Europa. O ressurgimento e a aparição de partidos de extrema-direita refletem ansiedades, descontentamentos e frustrações generalizadas no continente com imigrantes (e “os outros”, em geral), a islamização, a europeização e a globalização nestes tempos de crise econômica e também de identidade sobre o próprio projeto de integração continental. Acontece na Holanda, Áustria e naqueles paraísos nórdicos da Suécia, Finlândia e Dinamarca. A França, porém, é um país bem mais importante e repercute muito mais o avanço desta extrema-direita nacionalista e […]

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Cidadãos em qualquer parte do mundo agem de forma saudável quando tratam com ceticismo versões oficiais. Mesmo em democracias com imprensa ultravigilante, governos mentem ou douram a pílula. E existem ditaduras como a da Síria. Nestes casos, não devemos ser céticos. É artigo de fé questionar a versão oficial, denunciar a propaganda e desconstruir a desinformação. Síria, país da mentira. Na Líbia, ao menos jornalistas estrangeiros estão em Trípoli, capital do que sobrou do regime de Muamar Kadafi. Não podem circular livremente, mas podem trabalhar com nome e sobrenome. Eles têm condições de desmascarar a propaganda que fica cada vez mais tosca, como no caso do bebê de sete meses exibido pelos aspones do regime como vítima de bombardeios da […]

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Pobre Peru. O país foi colocado em uma encruzilhada infame ou, melhor dizendo, optou por este sendero nada luminoso: Keiko Fujimori ou Ollanta Humala? Ainda por cima tem este fenomenal doutor das letras, Mario Vargas Llosa, que consagrou a expressão: a eleição era uma escolha entre aids e câncer. Viulento na sua oposiçao ao clã Fujimori, Vargas Llosa foi acometido de humalite e aconselhou os peruanos a aceitarem o tumor como o mal menor. Agora é a pobre vitória de Vargas Llosa e dos peruanos, Mas as metáforas médicas estão consagradas. Humala jura que abandonou o chavismo. Seu novo modelo é o lulismo. Portanto, a escolha entre duas doenças. De novo, a necessidade de escolhas amargas. E não estamos diante […]

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Nas últimas semanas, vários politicos republicanos anunciaram a entrada, a não entrada e a saída da corrida das primárias presidenciais no ano que vem. Os anúncios devem continuar ao longo dos próximos dias. Mas nenhuma destas notícias tem o impacto da não notícia que é a reaparição de Sarah Palin. Sei, sei, claro que é notícia tudo o que faz a ex-candidata a vice-presidente e ex-governadora do Alaska, mesmo quando não faz nada. Existe esta simbiose entre a mídia e Sarah Palin, nós e ela. Afinal, o que Sarah Palin está não fazendo? Com sua família, ela embarcou numa road trip de ônibus por lugares históricos dos EUA. No domingo, no feriadão do Memorial Day que é o início não […]

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