Caso ele não fosse maligno, cruel e fanático, o aiatolá supremo Ali Khamenei, no cargo vitalício desde 1989, seria apenas folclórico e engraçado com suas declarações bombásticas e bizarras. Na sua linguagem orwelliana, ele diz que a “primavera árabe” foi inspirada pela Revolução Islâmica de 1979. A lógica do aiatolá não vale para os protestos na Síria, aliado do Irã. Lá, na lógica de Khamenei, trata-se de uma conspiração tramada por imperialistas, ocidentais, sionistas e o resto da corja. A nova pataquada de Khamenei foi dar apoio aos manifestantes contra a ganância financeira nos EUA (o movimento Occupy Wall Street e similares). Para ele, o movimento, em última instância, vai derrubar o sistema capitalista e o Ocidente. Arengas à parte, […]

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Boas e más notícias sobre o viés político da imprensa americana. Boas e más, de acordo com a visão do cidadão. Vamos começar dando uma colher de chá aos conservadores, para a Sarah Palin e ao Tea Party, que tanto reclamam da parcialidade liberal da imprensa. Um estudo amplo mostra o seguinte: após endossar os candidatos presidenciais republicanos de forma maciça nos anos 70 e 80, os jornais diários deram uma guinada nos últimos 20 anos, concedendo apoio aos candidatos democratas. Vamos ficar com o tal do queridinho, Barack Obama. Dos últimos cinco ciclos eleitorais, ele teve o endosso mais significativo – 64% dos editoriais. Ainda abaixo da benção que republicanos recebiam. Em 1972, Richard Nixon obteve 93%. Na sequência, […]

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Transição de ditadura para democracia (e muitas vezes de ditadura para ditadura) pode ser atabalhoada, exasperante, sangrenta, pacífica, alternando sangue e negociação. Pode ser tortuosa, com figuras trafegando e traficando influência entre os sistemas, como no Brasil. José Sarney foi homem da ditadura, foi homem da mineirice democrática de Tancredo Neves e é homem desta coisa que está aí. E temos aquele agreste na “primavera árabe”. Nenhuma das transições para alguma coisa tem sido pacífica e está cheio de Sarneys no processo. Temos graus de violência e graus de resistência de ditadores para não entregarem o ouro e o abacaxi. O que está acontecendo na Líbia é chocante nesta transição pós-Kadafi. Mas nunca podemos esquecer que a escalada de violência […]

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Na babel burocrática da Europa, desta vez existe a promessa de falar com uma voz, para desta vez realmente salvar o projeto de união. A hora E (Europa) está chegando nesta quarta-feira, com mais um pacote de salvação, com recapitalização dos bancos, aceitação pelos credores de mais perdas no poço sem fundo grego e reforço do fundo de resgate. Como sempre, os olhos estão no estranho casal: a alemã Angela Merkel e o francês Nicolas Sarkozy, o núcleo duro do frouxo projeto europeu. Há casais com mais glamour, como Brangelina (Brad Pitt e Angelina Jolie), mas Merkozy dá o que falar. Sarkô tem a sua Carla, mas até na hora do parto da filha corre para os braços de tia […]

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Para os histéricos com um discurso erva daninha sobre esta “primavera árabe” e para os eternamente floridos, aqui vai uma mensagem de alguém que devemos cultivar. O nome dele é Salman Rushdie, o escritor que sabe dos perigos do fundamentalismo islâmico. Afinal, ele foi alvo de uma fatwa, mais especificamente, de uma sentença de execução ordenada por aquela flor de pessoa que era o aiatolá Khomeini. Rushdie está vivo e é vivo para falar coisa com coisa sobre as eleições deste último domingo na Tunisia para uma assembléia constituinte. A mensagem via Twitter, que eu vou traduzir de forma liberal, é a seguinte: dia de eleição, primeira eleição livre depois da “primavera árabe”. Os islamistas vão ganhar? Se isto acontecer, […]

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A morte de Muamar Kadafi foi um espetáculo bárbaro e mórbido, mas a Líbia é um sideshow no grande cenário da “primavera árabe”. Claro que o que acontece no país norte-africano tem ramificações regionais. E a queda de uma ditadura, com estas cenas bárbaras do fim de Kadafi, servem de inspiração e também de constatação para os custos de uma revolução. Um país bem mais importante que vem imediatamente à mente é a Síria. Como o veterano Kadafi, o jovem Bashar Assad resolveu peitar a rebelião. O resultado foi a exacerbação e existe a possiblidade de uma guerra civil em larga escala na Síria. Outro sideshow que pode ajudar a sinalizar tendências é a Tunísia onde tudo começou. Lembra-se? Foi […]

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Isto aqui não é um blog. Não gosto de reagir minuto a minuto `a marcha da história. Mas vamos lá para uma rápida pensata: a morte de Kadafi é espetacular e ao mesmo tempo anticlimática, pois já ocorrera o colapso do cruel e bizarro estado kadafista. Quanto mais demorasse a morte, captura ou fuga de Kadafi, mais complicado o esforço de uma transição para alguma coisa na Líbia. Vamos por ora, neste minuto, saudar o fim de um carrasco. Para alguma coisa a “primavera árabe” serviu. Muitas esperanças estão murchando. Sabemos dos perigos óbvios, que coisa ruim pode ser substituída por coisa ruim ou até pior. Mas no “big picture” até que a Líbia tem chances: tem petróleo e tem […]

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Países têm legítimas preocupações com terrorismo e grupos insurgentes. No zelo para se proteger, podem recorrer a ações desproporcionais, invasões e ocupações de terras. Violam direitos humanos. Seus dirigentes usam linguagem truculenta e maniqueísta. Estamos falando de Israel, só pode ser de Israel. Negativo. Estamos falando da Turquia, aquele país que hoje desfralda a bandeira da “primavera árabe” e aproveita para redobrar sua campanha contra Israel, o ex-aliado. Mas a Turquia também tem estas preocupações legítimas com terrorismo e grupos insurgentes. E recebe apoio e credibilidade do Ocidente na sua campanha contra separatistas curdos. Na quarta-feira, os militantes do Partido dos Trabalhadors do Curdistão (para os turcos, com razão, são terroristas, ao contrário dos heróicos resistentes do Hamas) mataram dezenas […]

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Há uma visão otimista relacionada com a troca de mais de mil prisioneiros palestinos pelo soldado israelense Gilad Shalit, que fora sequestrado pelo grupo islâmico Hamas em 2006. Como parte de uma mudança estratégica e pelas vias indiretas das negociações para a libertação de Shalit, Israel está reconhecendo o Hamas e vai afrouxar o cerco de Gaza, o território controlado pelo grupo islâmico, que fora endurecido com o sequestro do soldado. E o Hamas, apesar de sua retórica militante e instransigente, começa a cair na real e se converterá em um ator efetivo no processo de negociações de paz. Ganhará assim legitimidade internacional, além do seu círculo de suspeitos habituais: gente como o aiatolá Ali Khamenei, no Irã, e o […]

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Esta é curta e grossa. Israel está pagando um preço exorbitante (intolerável para as famílias de vítimas do terror) para trazer de volta o soldado Gilad Shalit, sequestrado pelo grupo terrorista palestino Hamas em 2006. O preço são 1027 prisioneiros palestinos. Entre os libertados, estão militantes com as mãos sujíssimas de sangue (de acordo com Israel, entre os mais de cinco mil presos por razões de segurança, cerca de 70% têm “sangue nas mãos”). Está havendo uma troca, mas cuidado com equivalências entre combatentes. O soldado Shalit, recruta compulsório, nunca matou mulheres e crianças. Nunca matou. Eis a ficha resumida de alguns palestinos inseridos no acordo para a libertação de Shalit: Hussan Badran: comandante militar do Hamas na Cisjordânia, condenado […]

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