Category Archives Instituto Blinder & Blainder

Em momentos de comoção nacional, a expectativa é a de que o presidente presida a nação, especialmente tendo uma tribuna como a televisão. Nos EUA, o presidente é chefe de governo e chefe de estado, assim a responsabilidade é ainda mais pesada. Presidir significa também ser um consolador-em-chefe. Nos últimos 30 anos, vivendo e trabalhando aqui, eu vi vários presidentes em ação em momentos de comoção: Reagan no desastre da nave espacial Challenger, Clinton no atentado de Oklahoma City, Bush nos atentados do 11 de setembro e Obama no massacre praticado por um supremacista branco. Todos eles cumpriram o seu papel. Eu jamais, por exemplo, votaria em Bush, mas naquela semana dantesca de setembro de 2001 eu não tinha dúvidas […]

Alt-Right, alt-Left. Whatever. Com Donald Trump, existem a realidade alternativa e infames equivalências morais entre excrementos humanos como supremacistas brancos e gente que resiste a eles (sim, embora haja alguns detritos também por lá na resistência). Para Trump, há muita gente boa que marcha com os excrementos. Para quem ainda acha razoável as equivalências sobre “os dois lados” feitas por este camelô de mentiras, demagogia e ressentimentos instalado na Casa Branca, eu recomendo o documentário da Vice News sobre os acontecimentos em Charlottesville. Que tipo de ” very fine people” marcha com os excrementos? Aqui o link. PS- passei os olhos em comentários postados ao longo da noite e raramente fiquei tão impressionado com as mensagens de alguns simplesmente insanas, […]

Partidos têm história e mudam ao longo da história. A ala sulista do Partido Democrata era racista no DNA. Afinal, o paladino do fim da escravidão foi o republicano Abraham Lincoln. Mas, isso é história. Houve uma transição e os setores brancos do sul americano, racistas ou não, migraram para o Partido Republicano a partir dos anos 60 com o triunfo dos direitos civis e os investimentos democratas na diversidade e na política de identidade. E obviamente existem ainda alguns enclaves racistas no Partido Democrata. Com Donald Trump, o etnonacionalismo ficou cimentado no Partido Republicano e nos últimos dias, a partir do incidente neonazista em Charlottesville, a alt-right foi consagrada no partido com seus excrementos de supremacistas brancos, antissemitas, misóginos […]

Estamos no 4 de julho, feriadão americano da independência. No ritual iniciado nos tempos de minha coluna em VEJA.com, eu republico aqui texto, estampado originalmente em 2011, sobre o significado da data. Algumas informações estão desatualizadas. Na verdade, eu já passei mais de metade de minha vida aqui e no cenário está ele, Mr. Trump. Mas, vale a essência, o reencontro com o texto por leitores veteranos e a sua apresentação para os novos. *** Este jornalista brasileiro que já viveu quase metade de sua vida nos EUA sente-se em casa por aqui (assim como nas bandas de Higienópolis/Consolação/Bom Retiro, em São Paulo). God Bless Américas! Muito para celebrar, mas é sempre bom ter cuidado com o excesso de fogos […]

Na quarta-feira, após os tiros contra o deputado republicano Steve Scalise e quatro pessoas perto de Washington, Peter Beinart escreveu um texto na revista The Atlantic sobre o “clima” político e de virulência verbal nos EUA. Há um fogo cruzado (metafórico com raras exceções) entre liberais e conservadores (esquerda e direita no jargão brasileiro); entre democratas e republicanos. James Hodgkinson, o atirador morto devido aos ferimentos recebidos após ser alvejado pela polícia, era um simpatizante de Bernie Sanders, o radical de esquerda que perdeu para Hillary Clinton, nas primárias democratas.  Ele desprezava Hillary, mas seu ódio mais intenso alvejava republicanos e o presidente Trump. Isto está patente nos seus posts nas redes sociais, que devem ser acrescidos a seu prontuário […]

Na segunda-feira, eu tuitei sobre um texto que acabara de ler em O Globo. O assunto era a tentação autoritária e populista, com base em um estudo da London Business School, constatando que em tempos de crise e situações adversas as pessoas tendem a aumentar o apoio a figuras populistas e autoritárias, ao invés de pessoas respeitadas e de prestígio. Claro que de cara vem à mente o Mr. Trump, mas podemos girar o globo ou se embrenhar na floresta da história e encontrar figuras que correspondem ao perfil. O estudo da London Business School analisou três estudos anteriores, somando entrevistas com 140 mil pessoas de 69 países ao longo de duas décadas. No meu caso, eu destaquei o estudo […]

Pobre Donald. Tudo o que ele quer é tuitar, jogar golfe, fazer a América grande novamente e trocar uns afagos com o Vladimir. E no meio do caminho, estão juízes que não são lá muito americanos, europeus mariquinhas, ambientalistas ainda mais mariquinhas, gente paranóica acusando o presidente de tudo quanto é tipo de conflito de interesses e até um ex-diretor do FBI, James Comey que tem a petulância de chamar Trump de mentiroso e tramar o caso por obstrução de justiça. Trump bravateia que esta disposto a depor sob juramento para desmascarar Comey. Outro que não larga do pé do Trump é o jornalista e escritor Timothy O’Brien. Educacional saber a sua história sobre as declarações juramentadas de Trump. O’Brien […]

A era Trump é a era da hipérbole, mas não é exagero definir como histórico, na escala dos depoimentos da era Watergate, o testemunho público nesta quinta-feira no Congresso de James Comey, ex-diretor do FBI. Donald Trump demitiu Comey há um mês e falastrão como ninguém disse que foi por causa “daquela coisa russa”, ou seja, as investigações que o FBI e também comissões do Congresso realizam sobre interferência russa nas eleições do ano passado e possível conluio com a campanha do agora presidente. A questão chave nesta quinta-feira é até onde Comey irá configurar as atitudes de Trump em relação ao seu trabalho, ou seja, houve obstrução de justiça? É difícil imaginar que Comey possa ser tão explícito nas […]

Trump sendo Trump, ele manteve a promessa feita à sua base eleitoral, como trabalhadores das minas de carvão, e na quinta-feira confirmou a retirada dos EUA do acordo climático de Paris. O preço? Priceless. Em termos qualitativos, um presidente americano renega um acordo negociado por um presidente americano. Como o mundo pode confiar na palavra do chamado país líder do mundo livre? Em pouco mais de quatro meses de governo, Trump renegou o acordo comercial transpacífico, o acordo climático de Paris e gerou incerteza sobre a Otan, a aliança militar ocidental. E fez tudo isso de forma petulante. Dentro de casa, Trump detona o Obamacare o plano de saúde do ex-presidente. Trump detona a ordem estabelecida em nome de um […]

Como Donald Trump, eu sou uma criança em crescimento, mas ao contrário do garotinho birrento que mora numa casa branca na avenida Pensilvânia, em Washington, eu tenho curiosidade para ler, para aprender e tentar entender melhor como as coisas funcionam. Foi na coluna do David Brooks, no New York Times, que eu aprendi esta semana o que é o efeito Dunning-Kruger. Trata-se do fenômeno em que uma pessoa incompetente é muito incompetente para entender sua própria incompetência. Bem, qualquer criança já entendeu que o Brooks está falando do Donald. O título do seu texto: “Quando uma Criança Está Liderando o Mundo”. Trump já foi visto com diferentes perucas: um florescente autoritário, um corrupto Nixon, um agitador populista ou um defensor […]

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