Category Archives Instituto Blinder & Blainder

Jerusalém é capital de Israel. A frase é legítima, até banal. Jerusalém é capital do povo judeu. O debate é sobre o status mais amplo e final deste explosivo símbolo religioso e político, motivo de mútuas recriminações, altas sensibilidades e espinhosas negociações, cuja consumação é sempre adiada pela quase impossibilidade de solução. O debate é sobre a parte de Jerusalém que toca aos palestinos e se eles vão aceitar que a cidade é legitimamente judaica. E assim, ao declarar o banal na quarta-feira, rompendo as convenções diplomáticas, e iniciar o processo para transferir a embaixada americana de Telavive para a Cidade Santa, Donald Trump coloca mais lenha na fogueira. O presidente americano toma claro partido de um lado no conflito […]

O site Axios (excelente) conversou com um dos advogados do presidente Trump, John Dowd. E ele soltou um balão de ensaio altamente controvertido e arriscado como teoria de defesa nas investigações sobre eventual conluio entre a campanha eleitoral do seu cliente e os russos: um presidente não pode ser culpado de obstrução de justiça. Ora, um cidadão acima da lei? Talvez na Trumpland, ou seja, no universo alternativo. De acordo com Dowd, “é impossível o presidente obstruir a justiça” por ser o principal funcionário encarregado do cumprimento da lei sob o artigo III da Constituição e assim tem “todo o direito” de expressar sua visão sobre qualquer caso. Dowd foi o mesmo sujeito que, para a incredulidade geral, no fim […]

Recruta Blinder sempre bate continência e deixa seu posto avançado nas bandas do rio Hudson em Nova York e retorna à base quando convocado pelo comando da comunidade judaica brasileira. Assim que meu amigo Fernando Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), me convidou para participar da convenção em São Paulo em novembro, eu topei sem pestanejar. E nem sabia qual seria a missão do recruta Blinder. E imaginem minha satisfação quando eu soube que minha responsabilidade seria entrevistar no “palco” David Harris, diretor executivo do American Jewish Committee, um dos judeus mais influentes dos EUA e, por tabela, do mundo. Influente nem dá para começar para dar a dimensão de quem é Harris. Qualquer press release sobre ele […]

Israel sempre é um assunto polêmico e nunca tenho fadiga dele, pois meu sionismo é incansável. Por boa parte de minha vida profissional, enfrentei antissemitas disfarçados de antissionistas. E por boa parte desta boa parte de minha carreira, o duelo foi com a esquerda. Hoje em dia há uma inversão quando o papo é Israel. O duelo acontece mais com uma direita chucra (no caso de brasileiros, seguidores de Bolsonaro ou de tantos bispos evangélicos da vida) ou ferozes militantes do sionismo ultranacionalista. Esta gente que me ataca e me insulta de “judeu traidor”, muitas vezes não tem noção de batalhas passadas. Então, aqui vai uma amostra quando publiquei em 19 de maio de 2008 um texto no Portal IG […]

Em uma penca de comentários na coluna em si, no Facebook e no Twitter, ao estilo Breitbart e suas vertentes tropicais (provavelmente Constantino + Olavã0), existe um tom apocalíptico de que uma invasão muçulmana está em curso na Europa e o povo é estuprado nas ruas por estes bárbaros maometanos. Tudo isso aos olhos da bundona Angela Merkel (que deve estar a mando de George Soros) e da União Europeia, uma entidade perigosa e maléfica, que pode transformar a boa e velha Europa do glorioso nacionalismo em um Gulag soviético. PS-  a propósito, mais de 300 muçulmanos foram chacinados na sexta-feira em uma mesquita no Sinai pelo terror islâmico.          

****** Ao retornar de sua viagem à Asia, Donald Trump disse obviamente que fora, vira e vencera. Ele qualificou o giro de 12 dias como “histórico”. E desta vez, eu me curvo. Trump está correto. E agora a minha ressalva: viagem histórica, mas não na sua típica paródia triunfalista. Muito mais no sentido definido por David Ignatius, no Washington Post: a viagem “sinalizou a acomodação dos EUA ao crescente poder chinês, mais o desejo de aparar as arestas com a Rússia beligerante, com poucos ganhos evidentes de segurança para os EUA”. Ian Bremmer, o guru geopolítico da consultoria de risco Eurasia, segue linha semelhante. Ele escreveu aos clientes que a postura na Ásia costumava ser como se posicionar (ou como […]

No domingo, com seu frenesi de tuítes, Donald Trump se comportava como um homem desesperado, implorando para os republicanos fazerem alguma coisa, do something! O imperativo tem lugar quando o promotor especial Robert Mueller está pronto para produzir nesta segunda-feira o primeiro indiciamento na sua investigação sobre possível conluio da campanha eleitoral de Trump com os russos ou na ramificação de obstrução de justiça. Atualização: logo cedo na segunda-feira, pipocaram as informações de que os indiciados Paul Manafort, ex-chefe de campanha de Trump e Rick Gates, um ex-associado, se entregaram às autoridades federais. Um caso mais bombástico envolve as revelações de que um terceiro indiciado, George Papadopoulos, que foi assessor de campanha, mentiu ao FBI sobre seus encontros com os […]

Robert Kagan, trabalhou no governo Reagan, foi assessor de campanha de John McCain e é considerado um dos gurus neocons (gente que formulou as justificativas mais nobres para a invasão do Iraque e cujos resultados foram desastrosos). Ele abandonou o Partido Republicano em 2016 e votou em Hillary. Acabou de escrever o seguinte (vai em inglês mesmo). *** Should we have rooted for Republican leaders to fight back? Sure. And we did. The party would be worth saving if it contained even a dozen women and men of courage. But of course if it did contain such people, it wouldn’t need saving. Today the definition of a brave Republican is someone who is not running for reelection. So rooting for […]

Claro que eu estou chateado com o vexame dos EUA. Pela primeira vez desde 1986, o país do futuro (no futebol) vai faltar a uma Copa do Mundo. A derrota para Trinidad e Tobago, na terça-feira à noite, nas eliminatórias deixou desolada a crescente e entusiasmada torcida pelo soccer nos EUA. Eu estou chateado por ainda gostar muito de futebol, embora confesse acompanhar com mais interesse jogos na Europa do que no nosso hemisfério, e também por viver aqui. Nunca fingi interesse por esportes tão americanos como futebol americano e beisebol e com o passar dos anos fui ficando menos envergonhado para bater papo sobre futebol. Não me sentia tão alienígena. No subúrbio de Nova Jersey em que criei minhas […]

Enquanto jogava golfe no seu clube em New Jersey, Donald Trump disparou tuítes insultando a prefeita de San Juan, em Porto Rico, e de quebra chamou as autoridades da ilha (quase metade dos americanos não sabem que os habitantes são cidadãos dos EUA) de folgadas. Isso em meio às aflições geradas pela passagem do devastador furacão Maria. O subtexto dos tuítes é racismo e eles reiteram que “minorias são vagabundas e gostam de mamar nas tetas do estado”. A mensagem política é clara. Em meio a uma tragédia natural, Trump segue falando e “governando” para sua base e não como líder da nação. Aparentemente os tuítes foram deletados mais tarde. Para Trump, é desafortunado que aqueles latinos do Caribe sejam […]

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