A frente síria é multidimensional, tanto em termos militares, como de sofrimento humanitário. Vamos primeiro aos civis: sofrem com o acuado terror islâmico e com o terror do que sobrou do estado sírio. Nas últimas semanas, a Força Aérea de Assad matou centenas de civis em subúrbios de Damasco ainda sob controle rebelde. E nos ares é aquela confusão com derrubada de helicóptero turco e avião russo. E é claro os sírios de Assad derrubaram um F-16 israelense na escalada de tensões entre Irã, patrono do seu regime, e Israel.

Na maciça incursão israelense, o jornal Haaretz revela que quase metade da defesa antiaérea síria foi destruída. O governo Netanyahu não é minha praia, mas o primeiro-ministro tem se comportado com eficiência na encrenca síria.

A escalada de tensões ocorre quando escala o seu escândalo de corrupção, mas não serei cristalinamente cínico. Netanyahu agiu porque precisava agir e não para desviar as atenções. O plano é jogar pesado sem perder o controle neste conflito com o Irã, especialmente evitando alguma confusão com os russos, também patronos de Assad e que estão cientes dos mais amplos movimentos iranianos na Síria. Netanyahu inclusive flerta com Vladimir Putin numa tentativa de afastá-lo de Teerã. Em vão.

A escalada ocorreu com a derrubada de um drone iraniano que entrou no espaço aéreo israelense. Provavelmente os iranianos estão mais assanhados com sua vitória na Síria. Assim, Israel precisa agir com mais vigor para demarcar o espaço. Em princípio, pode ser uma guerra de atrito, não em larga escala. Israel continuará a voar no espaço aéreo sírio, alvejando posições iranianas, de Assad e do Hezbollah (outro comparsa de Assad), fazendo o possível para não acertar os russos. Estes, de sua parte, tomarão cuidado, mas não vão impedir os sírios e o Hezbollah de tentar acertar os aviões israelenses. Numa dessas…

A “pacificação” de Assad ficará ameaçada se o conflito Israel/Irã fugir ao controle. Sempre há o risco de desestabilização e erro fatal de cálculo. Civis serão novamente grandes vítimas. Quanto aos americanos, têm pouco oferecer. Obama e Trump, de olho no Estado Islâmico, perderam o foco na Big Picture e capacidade de inflluenciar os eventos. Os aliados de Washington na Síria (curdos e rebeldes árabes) talvez sejam forçados a negociar com Assad, pois não podem contar com os EUA.

A Síria segue sendo esta grande tragédia, estratégica e moral, horrível nos ares e no solo.

 

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21 Comentários em "Na frente síria, várias frentes"

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Ramos
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Parece que os turcos foram surpreendidos pela resistência curda.
Se não me engano, este enclave era dominado pelos russos. Certo?

Otto Heinrich Wehmann
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A região é terreno propício para defesa montanhoso e bem arborizado. Porém o exército Turco teria praticamente todo o cantão de Afrin sobre alcance da artilharia sem falar da força aérea, apesar de ser da Otan o exército Turco parece ser de uma qualidade bem ruim.

Nehemias
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Caio, Acho que fica nisso. Netanyahu já mandou o recado, cantou de Galo. Assad não é maluco de peitar Israel, e os iranianos correm o risco de serem punidos no acordo nuclear se fizerem gracinha. Problema maior seria o Hezbollah, mas outra “vitória” como a 2006 acabaria com eles. Então,… Leia mais >>
Otto Heinrich Wehmann
Visitante

Hezzbollar derrotou Israel em 2006:
https://www.youtube.com/watch?v=yD6YR8lQq40
e com a palavra Netanyahu:
https://www.youtube.com/watch?v=jrHOnLuPxmk
Esse míssil russo 9M133 Kornet destruiu Merkavas no Líbano, M60 Sabras e Leopard 2 dos turcos e até T-90 (versão downgrade de exportação) das forças Sírias. Foi ele que alterou a balança da guerra.

Novocredo
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O drone foi derrubado no espaço aéreo sírio ou israelense? O F16 estava no espaço aéreo sírio. Não creio em escalada do conflito. O Irã quer manter o que já ganhou. Os EUA têm pouco a oferecer. O x da questão é a Rússia.

Queiroz
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Que discussão estapafúrdia… Pode ser que um grupo terrorista, um rebelde, os curdos estejam em situação de absoluta anarquia e falta de comunicação/sincronização de movimentos militares e estratégicos. Mas Irã, Síria e Rússia estão juntinhas. Nada ali está frouxo. A decisão do Irã, com certeza foi suportada pela Rússia. Os… Leia mais >>
Ramos
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Os turcos acertaram por querer e os russos não reagiram. Ainda mataram o piloto, feita por aliados turcos. Israel, Rússia tem ligação direta, cada um sabe o que o outro faz, espetacular o serviço de informação israelense. Quanto aos iranianos e o hesbolla, se não fosse os russos, tinham levado… Leia mais >>
Otto Heinrich Wehmann
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O Nethanyahu ligou para o Putin logo após o ataque.

Queiroz
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Israel não perdeu em 2006. Foi lá, pra guerra, mas o Hezzbollah se escondeu em meio a civis, o que fez com que Israel estivesse em uma situação desagradável de muitos danos colaterais de civis. Os Arabes imploraram pelo cessar fogo da ONU. Nessa guerra, Israel já está consciente que… Leia mais >>
Otto Heinrich Wehmann
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Ele foi a guerra e não consegui nada por isso perdeu,guerra é a continuação da política por meios militares.
Vamos esperar a confirmação da destruição.

kaziranga
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Israel não destruiu nenhum S 400, o melhor sistema anti-aéreo do mundo, mas baterias sírias. Informe-se melhor. Apenas os russos manuseiam o S 400, que será exportado para China, Turquia e , possivelmente, Índia (estão em negociação). O sistema que abateu o F16 israelense é o S 200, de meados… Leia mais >>
Otto Heinrich Wehmann
Visitante

Podem acompanhar o conflito sírio por aqui:
https://syria.liveuamap.com/
Faz 04 anos que sigo essa guerra civil por este site que é sim confiável e faz retratações quando necessário.

Anouk
Visitante

Hello fellow, amante dos fatos: “Mattis Admits There Was No Evidence Assad Used Poison Gas on His People”, Ian Wilkie, Newsweek, February 8, 2018.
http://www.newsweek.com/now-mattis-admits-there-was-no-evidence-assad-using-poison-gas-his-people-801542

Otto Heinrich Wehmann
Visitante

Obrigado por compartilhar.

Rony
Visitante

IDF rules!

Carmem
Visitante
Caio, Não acho q a aliança Irã-Rússia seja forte. Somente alguns interesses pontuais comuns. O Putin não é bobo de se indispor com Israel, a única real potência da região q pode virar o jogo na Síria caso seja de seu interesse. Não acho q os israelenses estejam a vontade… Leia mais >>
Robson La Luna di Cola
Visitante
Esta região possui um número impressionante de forças em conflito entre si. Parece a Europa na época da Primeira Guerra Mundial, que produziu a Segunda Guerra Mundial. Depois dessas duas desgraças, a Europa se acalmou. E está semi-pacificada até hoje. Será que somente com um conflito gigantesco e sangrento irão… Leia mais >>
Ingo
Visitante
Síria foi sempre “casa da mãe Joana” ótimo para servir de pulmão para Israel entre os outros árabes mais revoltados. A lenta, mas constante destruição de terroristas tipo isis, deixa o território a “mercê” de novos interessados- várias ganguezinhas que apoiam Assad além do Irã com sua quadrilha Hezbollah- arqui-inimigos… Leia mais >>
Novocredo
Visitante
O Irã pela incompetência e omissão do Obama, e pelo erro da invasão de Bush, montou um arco até o Mediterrâneo. O problema para o próprio Irã é que não ter capacidade econômica de manter uma expansão imperial. Mas o faz para manter o regime. Para Israel é um risco… Leia mais >>
Tocqueville
Visitante

Com os novos caças F-35, comprados dos EUA, Israel vai pulverizar os inimigos na Síria.

Good luck, Israel, and good shot!

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