Claro que eu estou chateado com o vexame dos EUA. Pela primeira vez desde 1986, o país do futuro (no futebol) vai faltar a uma Copa do Mundo. A derrota para Trinidad e Tobago, na terça-feira à noite, nas eliminatórias deixou desolada a crescente e entusiasmada torcida pelo soccer nos EUA.

Eu estou chateado por ainda gostar muito de futebol, embora confesse acompanhar com mais interesse jogos na Europa do que no nosso hemisfério, e também por viver aqui. Nunca fingi interesse por esportes tão americanos como futebol americano e beisebol e com o passar dos anos fui ficando menos envergonhado para bater papo sobre futebol. Não me sentia tão alienígena.

No subúrbio de Nova Jersey em que criei minhas filhas, virei até técnico assistente da liga de soccer, da qual as meninas participavam, em parte por estímulo do avô são-paulino, meu saudoso pai David.

E é claro que o vexame da seleção norte-americana contra Trinidad e Tobago safa minhas filhas do dilema de dupla lealdade. E se a coisa degringolar para o time do Tite, é fácil a decisão. O negócio será torcer calorosamente para a parcialmente ártica Islândia dirigida pelo dentista Heimir Hallgrimsson.

Falando em Iceland e gelo, Donald Trump teve vitórias esportivas e não foi apenas no futebol americano (com a NFL se ajoelhando para ele na polêmica sobre como se comportar na execução do hino nacional). Vitória também no hóquei sobre gelo.

Os Penguins de Pittsburgh, campeões da última temporada, toparam posar com o presidente na Casa Branca. E isto é um feito para Trump. Na atual temporada política, artistas e atletas em geral querem distância do presidente.

Animadão, Trump saudou o patriotismo dos pinguins. Ironicamente, a composição do time não combina com o discurso ultranacionalista e patriotadas de Trump sobre America First. É verdade que hóquei sobre gelo é a liga mais branca dos esportes coletivos americanos, a menos etnicamente diversificada.

E outra ironia: dos 24 jogadores dos Penguins de Pittsburgh, apenas 9 nasceram nos EUA. Há um número igual do Canadá, enquanto o restante dos branquelas são da Finlândia, Suécia, Rússia e Alemanha. Os islandeses devem estar muito ocupados jogando futebol. Estes jogadores podem trabalhar nos EUA graças a vistos temporários.

Enquanto isso, Trump tuíta que os jogadores de futebol americano são antipatrióticos por se ajoelharem na execução do hino em protesto à brutalidade policial e racismo. Quase todos os jogadores da NFL são americanos e 70% deles são negros. Quem sabe irão se sentir mais bem acolhidos na Islândia. Basta trocar de futebol. Aliás, como se diz Iceland First em islandês?

Deixe um comentário

14 Comentários em "America (not) First"

avatar
Ordenar por:   novos | antigos
maisvalia
Visitante
A chance da Islandia é ZERO, hehehehe E esse papinho “ajoelharem na execução do hino em protesto à brutalidade policial e racismo” é uma das coisas mais mentirosas, cretinas e hipocritas que já vi e não estou dizendo isso por causa do hipócrita mas de quem começou, Colin Fidel Kaepernick,… Leia mais >>
maisvalia
Visitante

… por causa do picareta em vez de hipócrita..

Renato
Visitante
Bem, a bi campeã Argentina classificou na última rodada em jornada enraivecida de Messi. Jogou com rara raiva e foi decisivo. Mas, e mesmo uns pena que os EUA não tenham conseguido a vaga. Havia notória evolução no futebol dos EUA. De repente, isso os fará melhorar ainda mais. Seleção… Leia mais >>
Gabrielxxx
Visitante
Bicampeã não, campeã, o título de 78 vale tanto quanto o mundial do Corinthians no BRasil. Até pra comentar sobre futebol o caio não esquece o Trump, acho que nem a esposa de Trump se preocupa tanto com ele quanto o Caio… Partindo do ponto de vista estritamente comercial, a… Leia mais >>
Guga
Visitante

Já foram mais comentados,bater nele virou rotina,até os criticos de Trump deram uma sumida,concordando que ele alavanca os noticiarios e faz questão disso.

Guga
Visitante

Mas a meu ver Trump esta pecando por excesso não deixando espaço para os nobres congressistas que tambem querem seu lugar ao sol para poderem reelegerem-se,com isso ele perde na agenda legislativa.

Pierre
Visitante

Bom dia, seu Caio. Hoje, acompanhado de americanos, verei a gloriosa Ponte Preta.
Bom feriado!

Guga
Visitante
Na verdade não existem mais bobos no futebol,muitas seleções são formadas por atletas que jogam em outros paises.Uma pena os EUA não irem. Bom,se de um lado o hoquei é dominado etnicamente por branquelos,a NFL é por negros e a questão da violencia policial foi de certa maneira discutida durante… Leia mais >>
Rony
Visitante

Nao sei se vc viu o Tweet (piada) do Trump:
“very unfair, very unfair that USA had to play two countries, Trinidad and Tobago at the same time, of course that’s why we lost, so unfair.”
.

José do Norte
Visitante

Futebol é paixão. Americano precisa entender isso se quiser vencer o maioresto troféu sob os céus! Vamos à Rússia em 2018! Tem td para ser uma copa tão estonde antes quanto 70, 86, 94 e 98!

victor marques costa
Visitante

comment image

Bola fora . . .

victor marques costa
Visitante

América first , Netanyahu concorda .

José do Norte
Visitante

Trump tem liderança e força. Não é uma decisão tão nítida de se tomar. Caio, será que o mundo livre restringir -se-a a OCDE?

wpDiscuz
Close
SiteLock