assad-bibi

 

Passado o choque eleitoral americano, pelo menos para mim, várias coisas se revelam pouco chocantes, especialmente no Oriente Médio. Natural, por exemplo, o genocida Bashar Assad considerar Donald Trump um “aliado natural”.

Afinal, o presidente eleito dos EUA acredita que o ditador sírio com a mão forte e os aviões de Vladimir Putin possa pacificar um país dilacerado. Sabemos que Bashar Assad é adepto da paz dos cemitérios, mas as sutilezas semânticas e as demais não são o território de Donald Trump.

Trump chega após 16 anos de americanices atrozes no Oriente Médio, com os governos Bush e Obama. O primeiro com a intervenção atabalhoada e o segundo com o desengajamento desastroso. O ignorante Bush achou que iria salvar a região, mandando as tropas e impondo democracia, enquanto o cerebral Obama errou no cálculo que bastava retirar as tropas e fazer uma média com o Irã para conseguir estabilidade regional.

O incêndio se alastrou no Oriente Médio. A questão é se Trump vai jogar mais gasolina na fogueira dando carta branca para Putin e Assad, sem falar de sua promessa de renegar o acordo nuclear com o Irã, tão ambicionado pelo governo Obama, o que pode acelerar os planos do regime xiita para fabricar a bomba.

Há uma linha de continudade entre Obama e Trump na obsessão para derrotar o Estado Islâmico no território que eu chamo de Siraque (Síria + Iraque). A diferença, como eu já mencionei, estará na disposição de Trump fazer isso sem escrúpulos, ou seja, com ajuda de Putin e preservando o genocida Assad no poder.

Na verdade, Trump está cheio de admiradores no Oriente Médio. E, como lembra David Gardner em texto no jornal Financial Times, tanta admiração apesar de uma campanha eleitoral pródiga para estigmatizar muçulmanos e da flagrante tolerância com antissemitismo.

No antro de ditaduras e tribalismos do Oriente Médio, não existe desconforto com a chegada ao poder em Washington de um tipo à vontade com a chamada democracia iliberal e campeão do populismo nacionalista.

O presidente eleito vai conviver muito bem com homens-fortes ao estilo Abdel Fattah al-Sisi, que tomou o poder no Egito com a degringolada da Primavera Árabe. Outra figura que se encaixa no universo Trump é o quase ditador turco Recip Erdogan. O presidente eleito já reclamou do excesso de críticas a Erdogan, depois dos expurgos e prisões em escala industrial que ele emprendeu no país na sequência da tentativa de golpe em julho.

O governo Obama nunca deu muito bola para direitos humanos, apesar de sua reputação equivocada nos chamados setores progressistas. Trump é pior ainda. Ele é simplesmente indiferente. Ditadores do mundo, o homem mais poderoso do mundo dá carta branca a vocês, desde que não interfiram nos negócios americanos.

E há Israel. Na eleição da semana passada, 2/3 dos judeus americanos votaram em Hillary Clinton, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a direitona dos assentamentos judeus na Cisjordânia abominam Obama e torceram por Trump. Com o novo governo em Washington, nem haverá mais necessidade de fingir empenho no processo de paz para a criação de um estado palestino.

Para a extrema direita de Israel, o desinteresse de Trump na questão palestina e a promessa de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém contam mais do que o flerte do movimento que o alçou ao poder com o antissemitismo.

Como se vê, Trump até que está em casa no Oriente Médio.

I

 

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23 Comentários em "Aliados naturais de Trump"

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Rubem
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Caio, Bom dia. O carniceiro do Assad já usou armas químicas na guerra. Honestamente temo que em breve os russos façam uso de umas armas nucleares “táticas” como parte de sua estratégia militar no Siraque. Estima-se que tenham 4000 dessas coisas, que podem ser disparadas de peças de artilharia, caças… Leia mais >>
maisvalia
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Armas nucleares?!?
Really?
leu isso em algum lugar ou saiu de sua mente mesmo?
Democracia vai acabar em Israel?!?
Vai vira um Irã?!?
Realmente geopolítica não é seu forte.

Rubem
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So (unless we separate,) either we lose our Jewish national state or we lose our democracy or, in my opinion, we lose both of them.”
http://www.timesofisrael.com/pms-settlement-building-is-finishing-israel-as-a-jewish-democracy-says-sharons-former-outposts-adviser/

José do Norte
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“O mundo vive hoje a Doença de São Víto. A histeria e o delírio escorrem pelas bocas e pelas mãos, numa celerada canção diabólica da loucura.” (José do Norte)

José do Norte
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Rapaz, o cabra tá com a visão atravessada mermo. Hostilizar a possível paz em Israel porque feita por Trump/Netanyahu só não é o fim por que a obsessão globalista pode alcançar poços mais profundos. A Paz na síria tem um custo: eliminação do ISIS e dos “rebeldes moderados” armados pela… Leia mais >>
Rubem
Visitante

Fico com esta obsessão globalista. Como disse certo senhor uns tempos atrás. Há grandeza nessa visão de mundo. Sim há.
https://www.youtube.com/watch?v=SJh3HRiH8ug
Rubem
PS Com legendas e musiquinha.

José do Norte
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Há abdicação e adoração ao Satã Estado e também submissão ao clero tecnocrata. Os EUA são o que são desde 1776, os globalistas querem tornar os EUA o Não-EUA. Aí num dá… Pra enfrentar um cossaco do don só um caubói de montana. Os yuppies de nova iorque estarão chorando… Leia mais >>
Vera Lucia
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O problema, Rubem, é que a visão globalista da maneira como a conhecemos hoje, esta em conexão com o receituário neoliberal que leva a concentração de renda e perdas para os trabalhadores, seguidos de ajustes ficais draconianos aplicados por governos fracos que precisam engolir políticas econômicas que continuam a privilegiar… Leia mais >>
Rubem
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Vera o tal José aí eu não vou perder tempo, mas você eu gosto e é uma pessoa inteligente, embora esteja com raiva. Não entre nessa de endossar Trump ele é tudo o que somos contra. Não caia nessa amiga por mais raiva que você tenha. Se você não viu… Leia mais >>
Vera Lucia
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Valeu, agradeço a delicadeza.

José do Norte
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Um lenço para você, seu cráin bêibi.

maisvalia
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Bernie nunca ganharia a indicação e muito menos se elegeria. Além de odes ao chavismo o tiozinho idiota. Só adolescente sem cerebro ou velhos gagas podem indicar tal solução, …Bernie Sanders casou-se em 1988 com Jane O’Meara, de família irlandesa católica, que tinha três filhos de casamento anterior. Ele era… Leia mais >>
maisvalia
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Carmem
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Nada é tão ruim q não possa piorar…

Anouk
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Stephen Hawking dá um prazo de 1000 anos para que a humanidade desapareca da face da terra. Blinder gostaria que este prazo fosse antecipado para o próximo ano. Com Hillary na presidência; claro.

Otto Heinrich Wehmann
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Bom dia, O fator de desestabilização não será Putin, Assad ou Trump mas Erdogan. O regime sírio vai se manter no poder do litoral até o Eufrates. Trump não vai se entrar na Síria simplesmente por que o “americano branco médio sem educação e deplorável” não quer e também por… Leia mais >>
RicardoC
Visitante
Nessa sua linha pode-se perguntar: Oq é pior, tentar explicar pro novo presidente essa situação(quase inexplicável), ou não precisar explicar pra quase presidente, já que ela sabe de tudo? Quem oferece mais risco, aquele que sabe da sua ignorância e pede ajuda, ou o Oq se julga sábio e é… Leia mais >>
RicardoC
Visitante

Na linha da resposta do Caio. Não ficou claro minha postagem.

Otto Heinrich Wehmann
Visitante

Concordo. Como os EUA tem muito petróleo, Trump deve trabalhar para manter o preço baixo, cozinhar todo mundo em fogo baixo e se oferecer para ajudar na reconstrução desses países então pedir concessões.

José do Norte
Visitante
Dúvidas: a ação americana não estaria restrita a inação para uma acomodação natural de forças? Sobre a russia, será q haveria hostilidades aos turcos depois da estratégica informação disponibilizada sobre o levante para Erdogan? Os curdos, coitados, serão sacrificados de novo. Irão para Mosul? Sobre hezbollah, pq a Irã e… Leia mais >>
Otto Heinrich Wehmann
Visitante
Os americanos estão cansados de guerra e do oriente médio, e também estão cheios de petróleo extraído lá mesmo e aos olhos dele “ingratidão” do resto do mundo. Veja bem: eu queria que a revolução democrática que o Bush “tentou” fazer e a primavera árabe que o Obama apoiou tivessem… Leia mais >>
José do Norte
Visitante
Sobre o Hezbollah: melhor para Irã e Assar dizimá-los. Elimina-se por 10 anos um fator desestabilizante naquela região. O Irã já é um vencedo, quer a paz. A Síria também quer a paz para poder ser reconstruir. Israel quer a paz para poder viver. Sobre a situação turca: O iraque… Leia mais >>
Renato
Visitante
Curto e grosso e opinião( ou pitaco) cada um tem a sua: aquela região não tem jeito. Só pode ser dominada na força. E Assad é o melhor nome(não acredito nem um tiquinho assim em islâmico que faça aquilo rodar sem o EI). E quem armou o Estado Islâmico foi… Leia mais >>
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