Dezembro é um mês agitado de reuniões de militares e diplomatas ocidentais. O mundo está agitado e incerto, especialmente com a era Trump que se avizinha. No entanto, tantas reuniões da Otan, União Europeia e outros organismos ocidentais na verdade disfarçam uma paralisia decisória e uma impotência para influenciar eventos. Em muitas destas reuniões, na pauta estão duas crises ingratas: Ucrânia e Síria. São conflitos em que um grande vencedor se revela Vladimir Putin. Na Ucrânia, o enclave separatista pró-russo é um fato consumado e a mesma coisa com Bashar Assad. O ditador sírio, cujo fim foi tantas vezes anunciado, começa a virar a guerra civil para o seu lado. Ele não tem como refazer o mapa nacional rasgado pelo […]

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Faz exatamente um mês que os americanos votaram e cravaram o improvável Donald Trump no poder da ainda única superpotência do planeta. Um mês e tantos tuítes atrás. Nenhuma surpresa que Trump tenha sido escolhido pessoa do ano pela Time, ele, o presidente do que a revista denomina “estados divididos da América”. E nenhuma surpresa que o presidente eleito ainda se comporte como candidato. É verdade que existe um esforço em muitas partes, seja por puxa-saquismo a quem agora é poder, seja por motivos institucionais, para normalizar Trump. Mas, comigo nada disso, nada de normalizar o aprendiz de presidente. Cá está o líder dos estados divididos da América e do chamado mundo livre mentindo, exagerando, insultando e criando a maior […]

Em várias partes do mundo, 2016 tem sido um ano de mudanças inesperadas e espetaculares com referendos e eleições. Mas, o esperado não aconteceu na Venezuela. Havia expectativa de uma marcha mais acelerada do fim do regime chavista, pois há um ano a oposição ganhou o controle da Assembleia Nacional. Mas, como hoje o país é praticamente uma ditadura, os antichavistas não conseguem exercer suas atribuições com o escandaloso bloqueio político e judicial imposto pelo regime presidido por Nicolás Maduro. A companheira Dilma caiu, Fidel morreu, mas o podre continua de pé na Venezuela. A vitória da oposição em 6 de dezembro de 2015 foi formidável, mas o mesmo se mostra na capacidade de sobrevida do regime chavista em meio ao […]

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Annus horriblis para a União Europeia e 2017 poderá ser ainda pior para o status quo com este avanço populista que no domingo varreu do poder o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, derrotado no referendo sobre reformas constitucionais. Existe um paradoxo neste avanço populista. É um voto contra reformas positivas na medida em que Renzi queria agilizar o processo legislativo para modernizar a Itália e torná-la mais competitiva. No voto contra o status quo italiano, existiu uma relutância por reformas. Não é ponto debater o principal motivo da da queda de Renzi. Foi ele mesmo, ao transformar o referendo sobre reformas em um sobre o seu governo. E qual é a proposta de mudanças populistas em termos mais amplos na União Europeia e […]

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Esta é a foto do núcleo do poder na aliança ocidental em 2016. Sorry, já era. O poder é efêmero. Que a Angela dure.

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No núcleo duro do capitalismo e da democracia liberal, 2016 é um ano ingrato, azedo, horrível, o maior desafio desde o final da Segunda Guerra Mundial com o avanço do populismo e das forças contrárias à globalização. O centro não resiste, respira com dificuldade e os temores são de que as coisas piorem em 2017. Domingo, foi a derrota do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi no referendo a favor de reformas constitucionais. No final das contas, foi um referendo sobre o governo de centro-esquerda de Renzi, alinhado com as forças pró-globalização, enraizadas na União Europeia, alvejado por movimentos populistas de esquerda e de direita. Como se esperava, Renzi anunciou sua renúncia. A Itália entra em mais um período de instabilidade política, […]

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Para quem ainda tiver estômago (e falo isso nem com viés político, mas por questão de empaturramento do assunto), este é obituário da minha bíblia, a Economist, sobre ele. Destaco pela capacidade sempre lapidar da revista para escolher expressões. O homem é definido da seguinte maneira: “Fidel Castro: marxista de conveniência, nacionalista por convicção e caudilho por vocação”.  

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Entre tuítes, contratações de ministros, promessas de evitar conflitos de interesses, impor um acordo de compadre para salvar empregos em Indiana e um comício da vitória, Donald Trump conversou no telefone esta semana com o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif. O país do sudeste asiástico é complexo, explosivo e nuclear, mas tudo sempre está sob controle e o pensamento positivo do presidente eleito. Uma conversa dele com o presidente de Taiwan, para a fúria chinesa, foi mais explosiva, mas vamos ficar no Paquistão. De acordo com o relato paquistanês, o papo foi uma explosão de hipérboles e pontos de exclamação de Trump sobre um país fantástico e um primeiro-ministro fenomenal. Basicamente, uma conversa em trumpês!!! Na sequência da versão paquistanesa, […]

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A morte de Fidel Castro foi de fato um alívio para os editores de obituários. Quantas atualizações foram necessárias? O arquivo nunca estava morto. A trolha no New York Times sobre o ditador que morreu sexta-feira passada aos 90 anos foi assinada por Anthony DePalma, mas o jornal também publicou outra trolha, com relatos de 16 jornalistas (entre eles o do felizardo DePalma) sobre a feitura do obituário, cujo primeiro rascunho foi elaborado em 1959. Randal Archibold conta que cada correspondente no México, inclusive ele, herdou e trabalhou no chamado plano de morte de Fidel Castro. Cada um imaginava que a morte aconteceria sob sua vigília. No entanto, o ditador cubano sobreviveu ao plantão de cada um, assim como a […]

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O que há de novo para dizer sobre a frente síria? Pode piorar quando se consolida a sobrevida do regime de Bashar Assad. Os números são impressionantes e comovem mesmo um mundo anestesiado com o que acontece naquele país dilacerado pela guerra civil e barbárie praticada por tantos atores. Somente esta semana, pelo menos 20 mil pessoas (talvez 50 mil) fugiram de Aleppo diante do avanço das forças governamentais e aliados (como milícias xiitas iraquianas, contingentes iranianos, o libanês Hezbollah e os aviões de Vladimir Putin). O progresso de Assad na guerra civil é significativo e crucial na parte leste de Aleppo, controlada por jihadistas. Até ser dizimada, Aleppo era a maior cidade e centro comercial do país. Mas além […]

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