Esta semana, de segunda a sexta, Donald Trump está sob assédio europeu em Washington para não renegar o acordo nuclear com o Irã. Na divisão de trabalho, o francês Emmanuel Macron, na primeira e pomposa visita de estado na era Trump, entra com o charme; Na sequência, Angela Merkel, alemã, deve fazer a pressão mais direta, mais seca. Em tese, existe uma corrida contra o relógio com o prazo de 12 de maio auto-imposto por Trump, para decidir se remenda o acordo (horrível, coisa de Obama) ou o renega. Na terça-feira, o presidente disse que o acordo é “insano”.  Sim, ele mesmo, um pilar de sensatez política. Na essência, o Irã limitou drasticamente seu programa nuclear em troca de recompensas […]

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A Armênia raramente está no radar do Instituto Blinder & Blainder. Nosso especialista Blinderian nos ajuda quando é caso de relembrar o genocídio armênio de 1915, praticado pelo Império Otomano, o que cria saia justa hoje em dia, pois muitos países não querem encarar a fúria turca e sequer classificam genocídio de genocídio. Mas, na véspera do dia de lembrança tão sombria, 24 de abril, muitos armênios tiveram motivos para festejar na Praça da República, em Yerevan. E eu também celebro qualquer gesto contra autoritarismo e ainda por cima com uma bofetada política em Vladimir Putin. E por que o júbilo? O primeiro-ministro Serzh Sargsyan renunciou depois de dez dias de protestos populares contra sua decisão de assumir o cargo […]

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Para Trump, ele é o Little Rocket Man. E eu o alcunho de Pokemon Atômico. Esta parte é mole. Afinal, Kim Jong-un leva jeito de ditador de história em quadrinhos. O difícil é enquadrá-lo no complexo jogo diplomático. Além de controlar sadicamente seu país, o garotão (estão vendo? Mais uma chacota) controla o ciclo noticioso e, mais importante, a dinâmica diplomática. O novo lance foi  o anúncio de Kim Jong-un de suspender testes nucleares e com mísseis.  No entanto, nada disso é grande novidade e a decisão pode ser revertida. O essencial é se ele estará disposto a fazer a concessão suprema: abrir mão do seu arsenal de bombinhas. Tudo indica de que Kim Jong-un se encaminha para as negociações […]

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Israel faz 70 anos. No arco da história, é uma referência mirim. O que são 70 anos? Nunca resisto a uma citação de Chu En-lai, lugar-tenente de Mao (provavelmente apócrifa, não importa). Pediram a ele nos anos 70 uma avaliação da Revolução Francesa. Ele respondeu que era cedo para avaliar. Mas a vida de Israel é praticamente a minha vida. Nasci em 1957, quando o jovem estado era um garoto. Minha formação sionista acompanha os ritos de passagem de Israel. Entrei na Chazit, o movimento sionista, em 1964 e meu primeiro emprego remunerado foi na finada revista Shalom, em 1977, quando Israel nem completara 30 anos e eu, nem 20. Uma das minhas primeiras reportagens na Shalom foi uma entrevista […]

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O título do diagnóstico é enganoso. Ele significa que nem existe mais uma UTI para salvar o país. Esta semana, uma devastadora reportagem de capa no Wall Street Journal mostrou como o regime de Bashar Assad tem sido sistemático na guerra civil para alvejar hospitais, clínicas e pessoal médico na estratégia para destruir de forma deliberada infra-estrutura de medicina nas áreas rebeldes do país. O título da reportagem? “Em meio a bombas e ao gás, a Síria enfrenta uma crise épica de saúde”. Devido aos combates e à destruição da infra-estrutura de assistência médica, a maioria dos sírios não consegue mais viver além dos 65 anos de idade. Variados grupos rebeldes e a aviação americana (engajada contra o movimento terrorista […]

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Os mísseis de Trump e dos aliados europeus não foram nem punitivos nem dissuasivos. Foram uma mera fustigada. Tudo sob controle. Já escrevi que Bashar Assad opera conforme sua própria lógica brutal. Desde a eclosão da insurgência popular em 2011, que se converteu em guerra civil (e na maior tragédia humanitária no mundo no século 21), o genocida de Damasco tem uma estratégia consistente, conforme escreve Roula Khalaf no Financial Times: nunca fazer compromissos, não recuar, não importa a questão e nem a intensidade da pressão. Assad aprendeu que a indignação internacional é fugaz e as linhas vermelhas traçadas pelos paladinos da civilização ocidental são pra inglês (e americano) ver. E ele sempre pode contar com o apoio de russos […]

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Tecnicamente, Michael Cohen é mais associado ao personagem Ray Donovan, do seriado da TV por assinatura  Showtime. Donovan é o fixer, o operador que resolve todos os pepinos da elite de Hollywood. E resolve sem escrúpulos ou ética, pela lei ou fora da lei. Michael Cohen tem sido o fixer de Donald Trump há um bom tempo. Agora, ele está no centro dos acontecimentos, alvo de uma investigação criminal pelos “feds” em Nova York. Cohen passa o tempo fazendo com que os problemas de Trump desapareçam (de rolos mafiosos e oligarcas russos a atrizes pornô). No momento, ele é um problema que o presidente gostaria que desaparecesse. É provável que em breve a justiça permita que seus segredos (gravações e […]

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Ciclos noticiosos são implacáveis e Donald Trump é mestre para manipulá-los. No entanto, o presidente também é vítima. Sua chuvinha de mísseis na Síria está sendo suplantada rapidamente pela torrente de mísseis domésticos. O mais iluminado nos céus no momento é o míssil Comey. Potente, mas de curto alcance. O diretor do FBI demitido no ano passado está numa blitz promocional de lançamento do seu livro A Higher Loyalty. É o Comey Show, com entrevistas na televisão, rádio e jornais. Comey fala daquilo que eu defino como Xixigate. Ele diz que pode ser verdade a alegação do dossiê Steele de que Trump viu prostitutas urinando na cama de hotel em Moscou, a mesma cama na qual o casal Obama havia […]

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Mais por temperamento de bully e birra para desfazer a era Obama e não por uma estratégia coerente, Donald Trump já lançou mísseis contra o regime de Bashar Assad duas vezes em pouco mais de um ano de mandato. Na posição de líder de superpotência, Trump claro que está correto para corrigir o estrago de Obama (um dos mais vexaminosos do seu mandato) de não cumprimento da promessa de impedir que o genocida Assad cruzasse uma linha vermelha com o uso de armas químicas. No geral, porém, Trump dá continuidade à política de Obama naquilo que Edward Luce no Financial Times chama do “longo adeus americano ao Oriente Médio”. Sou cético sobre as alegações do presidente francês Emmanuel Macron, em […]

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Em um texto no sábado, o Wall Street Journal tem uma expressão preciosa: com os ataques contra instalações químicas sírias, os EUA e seus aliados tentaram garantir um cuidadoso equilíbrio: manter a linha vermelha contra o uso de armas químicas sem cruzar a linha vermelha de Moscou contra derrubar o regime de Bashar Assad ou alvejar forças russas. O ataque foi maior do que o lançado em abril do ano passado (o dobro de mísseis foi usado) e desta vez com a participação dos aliados britânicos e franceses, mas menor do que os sírios e russos temiam. Ironicamente, todos podem cantar vitória e nenhuma surpresa que Trump e Assad estejam embalados neste ritmo.    

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